Mostrando postagens com marcador mar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mar. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 7 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
O SEGREDO DA BRISA
O SEGREDO DA BRISA
Sopra uma brisa do mar.
Os meus livros são ostras
adormecidas.
Uma pomba sobre uma pedra me
lembra
a paz de uma tumba.
A grama cresce entre as pedras,
como cabelo
de criança, em sua fragilidade e
inocência.
Uma pedra se destaca entre todas
as pedras:
é a memória, que cresce e
sangra.
Nesta minha biblioteca um livro
se destaca:
nobre, grandioso, primitivo como
o homem.
Os animais despenham-se no
pântano, trágicos,
marcando o meu lugar entre os
mortos.
Eu escrevo, escrevo, escrevo.
As águas fluem das encostas
verdes, com as gaivotas.
Olho o horizonte infinito das
montanhas, que despencam.
Definitivamente, não há perdão
para os homens.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O MAR E A MONTANHA
O MAR E A MONTANHA
O mar é irmão da montanha. Ambos
beijam o azul do céu.
A águia encolhe a plumagem e
mergulha da montanha para o mar.
Os náufragos saem das águas
ostentando os seus despojos,
sentam-se nas ruas da cidade com
os olhos vazios e a língua inútil.
O dia é uma pantera e afia as
garras diante da terra ensolarada.
Eu sou o sobrevivente e componho
a música do princípio e do fim.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Kos de Hipócrates

Imagem da Wikipedia
Kos de Hipócrates
A concha do olhar ou memória
ignoram o seu nome, baço,
e seu espaço de teatro
ou ágora de antigo templo.
À sombra dourada de um plátano,
tronco de largo diâmetro,
Hipócrates lições ministra
de medicina aos seus alunos.
Nesta terra de sal e mar,
a cura da dor e da morte.
Feitas e desfeitas, as pegadas
se renovam na areia branca.
É tarde, Hipócrates é cinza.
Férteis águas ferruginosas,
centro irradiador de saúde,
a brancura absoluta dorme.
_______________
sábado, 20 de novembro de 2010
Apocalipse de Drummond e meu pai

APOCALIPSE DE DRUMMOND E MEU PAI
Meu pai morreu no mesmo ano
que o poeta Carlos Drummond de Andrade.
Era fevereiro e o mar rugia nos meus olhos,
mas ele morreu longe do mar.
(Drummond morreu olhando o mar? Umas
duas ou três gaivotas e o vai-e-vem das ondas).
As folhas caíam (não era outono) molhadas
do orvalho da noite, ao vento e ao sol.
Meu pai montava a cavalo e gritava
como um deus para a vida.
Drummond
lembrava o pai a cavalo como se pedisse perdão
do silêncio.
O meu pai e o poeta Drummond morreram
porque era hora.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
Sinto uma súbita alegria
ao me lembrar de meu pai
ao lado de Drummond
na eternidade.
A minha boca está seca, qualquer palavra
se quebraria.
O dia,
como a morte,
é uma fatalidade.
As crianças gritam
e não acordam meu pai,
que gostava de crianças dormindo.
Venta
neste momento
e em 1987.
Imagino o poeta sorrindo,
mesmo na morte, imóvel.
O morto é uma estátua
fria
na praia,
em qualquer lugar.
(Não deveriam fazer estátuas para os mortos.)
O poeta Drummond teve uma morte pública,
ônibus passam, a fumaça passa, os jornais anunciam
o feito histórico (o poeta morto como uma estátua).
O meu pai pediu um último cigarro, olhou a vela bruxuleante
(haveria vento no quarto? O vento do eterno
não se move).
O meu pai disse adeus,
e partiu a cavalo
sem se levantar do leito.
A cidade pequena
e os parentes sorriram contemplando o seu morto
particular.
O poeta e meu pai
(anônimos)
sorriem na eternidade
satisfeitos
com a poesia do fim dos tempos.
__________
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Mucuripe

Mucuripe
Entre os barcos e as casas dos pescadores
Há uma mesa com seus bancos fincados no chão,
Alguns copos, um ou dois pratos, talheres
E bocas famintas e olhos arregalados.
Cachorros andam de um lado para o outro
Perseguindo a própria sombra,
Um resto de comida, a vida
Preguiçosa como os gatos pardos,
Que se esparramam por ali,
Na modorra de donos absolutos do lugar.
As árvores projetam a sua sombra verde
Sobre esse chão pobre, cheirando a lixo e dor.
Uma criança chora: é sinal de vida.
Um velho ergue uma garrafa de pinga
Enquanto exibe o peito coberto de tatuagens.
Uma mulher oferece um peixe e grita como louca: Viva a vida!
___________
O Sangue da Terra, 2010 - Fortaleza, CE.
_____________
Assinar:
Postagens (Atom)




