

Eu vi o cárcere de Bárbara de Alencar.
No subsolo, a pequena cela de tortura:
Atrás das grades, pedras, paredes de pedras,
A cela onde um homem não cabe em pé.
Bárbara recebia uma só refeição por dia,
Mas era muito: alimentava-se de pedras
E de orgulho ferido e erguido como bandeira.
As pedras eram cabras mansas para Bárbara
Ordenhar: Bárbara tirava leite das pedras.
“Quem me pedirá contas de meus atos?
Meu marido, meus filhos, o meu Ceará?
Quem combate o bom combate não sucumbe.
Eu colho na derrota toda a minha vitória.”
Ouvi a voz de Bárbara, viva, nas pedras.
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Depois de quase um mês em Fortaleza, Ceará, aqui estou de volta.
Fortaleza é bela, belíssima. Voltei com os olhos transbordando de imagens, com a alma lavada, pura como as águas primitivas do mar e da chuva. Foram vinte e tantos dias de mar, sol e chuva: pureza, beleza, finitude e infinitude.
Um grande abraço a todos os amigos. Saudades.
5 comentários:
Fabuloso!
Bom regresso. Abraço.
Que bom que voltou... de alma lavada.
Eu voltarei sempre.
Um beijo
Que lindo, um soneto de primeira grandeza.
"alimentava-se de pedras
E de orgulho ferido e erguido como bandeira." Bom retorno e continue neste clima! Beijo.
Dei uma passadinha por aqui.Outro dia eu volto.
Sandra
Venha me visitar.
Meu querido Mestre Carlos Brandão: gratíssima pela lembrança que tem de mim. Saiba meu amigo que lá no infinito a resistência de D. Barbara ecoa na grandeza da tua poesia. Acho que os deuses todos que acodem os poetas, os guerrilheiros, os pacifistas estão radiantes com a tua poesia. Vou levar essa história para os meus alunos. Grata por você existir. Paz em Ñanderu, Grauninha
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