Ao Vasqs
Quando encontro
no meu silêncio
uma pérola
é escavado na minha vida
como um abismo.
(Ungaretti)
Conheço que uma ostra ao vento
É muito mais do que uma ostra.
Canta com um ouvido afinadíssimo:
Uma ostra ao vento é toda ouvidos.
Uma ostra ao vento é gozada
Como uma rã, um grilo colorido.
Um cara de cócoras atrás da moita
Tem as ostras ao vento batendo palmas.
Uma ostra ao vento é como um pássaro,
Mas sem asas e sem gaiola.
Uma ostra ao vento nem existe
De tão gozada.
A ostra no mar guarda a dor da pérola,
As ostras ao vento dão risada.
As ostras ao vento batem uma contra a outra,
Quebram os dentes de tanto chacoalhar.
As ostras ao vento são para quem quiser
Morrer de dar risada.
A vida não é uma piada, mas devia.
As ostras ao vento são uma gargalhada.
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O Vasqs é o criador da coluna de humor Ostras ao Vento. (Está escondido no Overmundo: clique no título acima para abrir seu perfil.)
Desde a 1ª vez que vi esse título, pensei em poesia.
O humorista é primo-irmão do poeta. Grandes poetas têm senso de humor. Drummond ou Manoel de Barros têm. Há exceções: não vejo humor em Ferreira Gullar, poeta imenso apesar disso. Um humorista imenso, Millôr, faz questão de ser também poeta, embora assim não se autodenomine.
Por essas e outras, acabei escrevendo o meu poema Ostras ao Vento.
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