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sábado, 24 de julho de 2010

A figueira



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O jornal Bom Dia, em Bauru, na matéria sobre o lançamento do meu livro "Memória da terra", publicou o poema "A figueira" na foto do tronco da minha figueira. Gostei tanto que quis repetir o feito aqui - mas não consegui trabalhar bem com as cores, para deixar o texto bem legível. Se não conseguir ler após clicar para ampliar o texto, leia-o abaixo.


A figueira

Deito num vão no tronco da minha árvore.
É uma grande figueira velha de um século.
Estou deitado no meio de folhas amarelas
Com um cheiro bom pelo meu corpo inteiro.

Réstias de sol desenham figuras no ar.
Pássaros voam, pousam e cantam.
A claridade doce me envolve e sonho
A sombra do bezerro e a sombra da vaca.

Essa figueira foi minha desde que nasci.
O meu mundo eram os seus galhos e folhas.
O meu mundo eram suas raízes sobre a terra,

Seu tronco e sua sombra como um colo de mãe.
Envelheci, sou outro, a minha figueira envelheceu,
Não nos reconhecemos. O tempo não volta atrás.

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Visita ao Matão




Visita ao Matão

Eu me vejo no espelho da janela.
A minha velha casa me recebe,
A mesma casa antiga, familiar,
Com as mesmas paredes, que me abraçam.

Um raio destruiu meia figueira,
Mas ela continua na paisagem
Com os cupins, abelhas, parasitas
Vivendo de seu tronco e suas raízes.

As jabuticabeiras se renovam,
Crescem e multiplicam-se no tempo.
O peru, as galinhas, os bezerros,

O meu mundo me espera no quintal.
O ribeirão, o mato ao fundo, os pássaros
Embalam a minha infância ainda hoje.

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Visita à casa da minha infância, num lugar chamado Matão.

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Canção do exílio




CANÇÃO DO EXÍLIO

A minha terra tem uma figueira
Na porta de casa, um cavalo inquieto
E os cachorros latindo para as vacas
E o meu pai apartando os bezerros.

As jabuticabeiras são infinitas,
O pomar tem todas as frutas
E todos os pássaros cantando.
Os sabiás, os melros, os canários

Disputam quem canta mais alto.
O sanhaço lambuza o bico no mamão.
O cafezal e o terreiro de café,

O milharal e a mata à beira d’água
Me lembram que eu sou criança ainda
Com a cara lambuzada de terra vermelha.

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Dia 12 último fui visitar a casa da minha infância.
Continua lá. Caiu um raio em cima da figueira, não está
mais inteira, mas continua lá.