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quarta-feira, 20 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A ÓTICA DO TEMPO
Por que o
futuro está à nossa frente
e o
passado atrás?
Não
poderia ser o contrário?
Não
poderia haver a um objeto à nossa frente
que vimos
no passado?
Ou alguém
no futuro
não
poderia estar bem atrás de nós?
E porque
não poderia estar o passado embaixo
e o
futuro acima?
O passado
no fundo de um vale
e o
futuro nas altas montanhas?
O futuro
é misterioso para nossos sentidos,
para a
nossa visão. Está atrás,
onde não o
vemos. O passado,
que
conhecemos, está à frente.
Como
podemos ter memória
do tempo
passado,
se ele
estiver à nossa frente?
Ele seria
quase o nosso presente.
Por que
vamos querer o passado atrás
e o
futuro à frente?
Por que
queremos prever o futuro
se ele
pode estar atrás?
O tempo não
é mais
que uma
questão de ótica.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
RESÍDUO
RESÍDUO
Por trás de
tudo fica um pouco de terror.
As rosas
crescem com o terror nas pétalas.
Um campo de
rosas cresce
em torno de
minha casa: é o campo da morte.
Os pássaros
cantam no meu campo de rosas,
alimentam-se
das sementes da morte.
Olho uma
rosa,
sinto o seu
perfume, sinto a
rosa nos
lábios –
e é sempre
como se estivesse para morrer.
Penso que
poderia acordar, mas
também penso
que posso estar morto.
O sonho é um
ensaio da morte
com um
diretor
impertinente
andando em volta do leito.
As luzes se
acendem, o sol se acende, a vida
se ilumina.
É tanta a
luz que os olhos sangram.
O tempo não
perdoa.
A mó mói a
farinha
das horas.
O relógio
geme no poço.
Os espinhos
da alucinação me despertam.
É primavera
lá fora,
mas chove
como um dilúvio.
O que é um
dilúvio? Só de eu pensar
o dia se
esboroa no seu mastro, anjos desmoronam
montanha
abaixo, sem asas.
Bato
pálpebras, bato pálpebras e voo.
J. C. Brandão
sábado, 4 de dezembro de 2010
Fábulas de Natal (2)
O MENINO NASCEU
O menino nasceu ao meu lado.
Um halo de luz fendia as trevas,
Vinha do alto e se expandia.
O galo arrebentou a garganta.
O cavalo cantou as palavras do poema.
Uma frágil parede nos separava do mundo.
O cavalo escarva o chão soltando fogo pelas ventas:
Era o meu poema queimando a noite.
O sangue inundava o quarto.
A caçamba do tempo vem do fundo do poço,
transbordando água limpa e fresca.
Trago o estigma na fronte.
Sou lavado pelo batismo do menino.
Vejo os ossos brancos sobre a pedra.
O menino ergue a chave com a mão pequena
E me abençoa.
O POEMA DO MILAGRE
Sou uma pedra no meio da casa
Com os ossos do cão cruzados em cima.
Quando chegará o inimigo?
Sentaremos juntos, conversaremos, sorriremos?
Comungaremos a minha casa antes de nos estranharmos?
A minha mãe chora atrás da porta,
A cabeça coberta com o pano da dor.
Um espinho me penetra nos olhos com o poema do milagre.
O nome do menino me queima a língua.
Os olhos do menino estão em brasa e iluminam a noite.
A casa cai com a luz.
As flores voam, as pétalas são gotas de fogo.
A mulher entrega o menino ao estrangeiro.
O velho ergue o menino nos braços e canta.
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( poemas de Natal, 2007)
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O bezerro Bito

O bezerro Bito
Acaricio o focinho do bezerro
Bito, peludo e escuro, muitos anos
depois do adeus à infância e suas pastagens
de sonho e sol. Sou órfão de um bezerro.
O Bito ergue a cabeça e me olha triste
como se adivinhasse a dor futura.
O que seria feito de nós dois
no carrossel do tempo, que não para?
Morremos quando finda o sortilégio
que fazia o universo inteiro nosso.
Nunca mais o bezerro Bito berra
me chamando no pasto. Nunca mais
a lambida na cara como um beijo.
Nunca mais o menino e o seu bezerro.
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... Gregório Vaz apronta das suas: um extemporâneo poema de finados (ou de amor, se quiserem).
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sábado, 24 de julho de 2010
A figueira

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O jornal Bom Dia, em Bauru, na matéria sobre o lançamento do meu livro "Memória da terra", publicou o poema "A figueira" na foto do tronco da minha figueira. Gostei tanto que quis repetir o feito aqui - mas não consegui trabalhar bem com as cores, para deixar o texto bem legível. Se não conseguir ler após clicar para ampliar o texto, leia-o abaixo.
A figueira
Deito num vão no tronco da minha árvore.
É uma grande figueira velha de um século.
Estou deitado no meio de folhas amarelas
Com um cheiro bom pelo meu corpo inteiro.
Réstias de sol desenham figuras no ar.
Pássaros voam, pousam e cantam.
A claridade doce me envolve e sonho
A sombra do bezerro e a sombra da vaca.
Essa figueira foi minha desde que nasci.
O meu mundo eram os seus galhos e folhas.
O meu mundo eram suas raízes sobre a terra,
Seu tronco e sua sombra como um colo de mãe.
Envelheci, sou outro, a minha figueira envelheceu,
Não nos reconhecemos. O tempo não volta atrás.
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