sábado, 28 de agosto de 2010

À beira do lago

Flores sobre o lago



À beira do lago

Um peixe salta, um som verde-escuro
Na sombra da montanha. As águas correm
Com a aragem da terra. Entro no lago
Sob o olhar dos marrecos e das garças.

O dia sobe e desce com os lírios
E a sua dança delicada, lívida.
O orvalho cai no dorso das lagartas.
Flores de cerejeira esparsas, róseas.

Um pica-pau nervoso canta e grita.
Nós nos olhamos, eu e um sapo enorme.
Já saí da água e rezo para as árvores:
Eu me lembrei de Deus, como um perfume.

A flor da noite pende a fronte e cai.
Um espantalho, cômico, gargalha.
A aranha diligente tece a teia.
Os pássaros, com as estrelas, cantam.




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Poema do meu heterônimo Gregório Vaz aqui.

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6 comentários:

Unknown disse...

José Carlos!

Esse som verde escuro formou o restante do poema.

De uma beleza limpa e translúcida como o perfume de Deus!

Beijos, poeta!

Mirze

Graça Pereira disse...

Tu és um marco no caminho...Pegas harmoniosamente na paisagem campestre... e desenhas todos os perfis, como se pintasses uma tela...usas as cores ridentes com a ajuda do dedo do Senhor e no fim...surge este milagre de pequenos/grandes nadas que são um bálsamo para quem te visita...
Beijo amigo.
Graça

dade amorim disse...

Muita saudade desse sítio cheio de belezas tão naturais e tão poéticas.
Bom voltar aqui.
Obrigada pelo carinho, João Carlos.
Um beijo.

nydia bonetti disse...

A visão do lago me impressiona tanto, Brandão. O espelho d'água, o entorno, a vida como um todo. Tenho feito meus últimos poemas à beira de um lago. Impossível ficar indiferente diante de tal paisagem. Abraços.

Juan Moravagine Carneiro disse...

meu caro ando meio perdido com o tempo, mas aos poucos vou adentrando por aqui com mais calma

esta semana estou nos Homens Hediondos

abraço

Marcelo Novaes disse...

Brandão,




um halo de eternidade perpassa todas essas contingências, que acabam transfiguradas em comunhões. Ou comunhão, no singular. Vc e um sapo enorme já se olharam: acredito.















Abração.