
Soneto monossilábico
Meu
pai
cai
réu.
Céu,
sai,
ai,
que eu
quero
ver
Deus,
mero,
ter
réus.
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1965.
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Para não dizer que só falei de flores... – de plantas e bichos... Resolvi postar uns poemas diferentes. Como os três sonetos anteriores. E, para mostrar que faz tempo investigo a forma do soneto, este “Soneto monossilábico”.
E para não ficar tão monossilábico, um podcast do blog do meu amigo Wellington Leite. Um jurado do Mapa Cultural Paulista reclamava de, nas várias regiões do Estado que concorriam, não haver textos regionais. Mera falácia: a aldeia hoje é o mundo. E nesta aldeia global, posso ser um poeta ligado à terra – e ao mundo, do qual a terra faz parte (ou será o mundo que faz parte da Terra, agora com maiúscula?).
Se tiverem paciência, ouçam-me:
http://conexaobrasilfm.blogspot.com/2010/09/primeira-postagem-de-podcast-jose.htmlE, para quem, como eu, preferir ler:
Réquiem para W. H. Auden (1907-1973)Parem as máquinas, parem todos os motores.
Queimem os livros, as enciclopédias, todas as cifras,
Todos os poemas, as palavras e as imagens,
Queimem o homem e a sua verdade implausível.
Morreu o poeta, o mundo não é o mesmo.
A memória do próprio tempo, das árvores e das águas
Desfaz-se ao contato humano, à vigília, ao clarão da aurora.
As paredes caem, os olhos explodem no labirinto.
O ouro da sombra desmorona, desmorona.
O azul do céu e o azul do mar são muito frágeis,
Não nos contaram que era tanta a solidão.
Parem as máquinas, chegamos ao esquecimento.
Queimem os poemas, as imagens continuam cegas e mudas,
Nós continuamos perplexos diante da porta sem fechadura.
O silêncio de Deus, 2009.
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