sábado, 19 de fevereiro de 2011

Tempo duro, tempo escuro



                                          
1. Tempo escuro

Para que a poesia
neste tempo da banalidade?
Para que a poesia
neste tempo da forma rara
em lugar do homem?

Cegos e surdos,
entanto cantamos.
Somente a tocha da poesia
ilumina este tempo escuro.


2. O cadáver da poesia

Vesti o cadáver da poesia
com as mais belas roupas que encontrei.
Vesti o cadáver da poesia
com as roupas de um operário.
Deixei nu o cadáver da poesia:
não deixou de ser o cadáver
deste tempo negro.

(Gregório Vaz)
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Gregório Vaz teve um surto criativo este ano. Parei de escrever como eu mesmo, até  o dia do meu aniversário, quando fiz quatro poemas luminosos. Não era dia para o pessimismo de Gregório Vaz. Depois tentei equilibrar a forma - G. Vaz é desleixado - mas tanto a forma como o fundo saíram escuros. Talvez seja mesmo este tempo escuro em que vivemos. Talvez eu não esteja nos meus melhores dias.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um brinde para os amigos


Carissimos amigos: - Vocês que me seguem já conhecem os poemas do meu livro Memória da terra (pelo menos a maioria dos poemas), que lancei em 2010. Se quiserem guardar uma cópia do livro, é com prazer que lhes ofereço. É só clicar aqui.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nenhures





NENHURES

Como um tigre, a manhã se aproxima.
Arma o bote diante do abismo.
Que universo é este?
Que Deus me guia?

Mastigo estrelas quentes como brasas,
me queimam a língua, como uma palavra.
Saco a morte do bolso,
atiro contra o enigma.

Carrego a minha cruz às costas, com galhardia.
Beijo a cruz como aos lábios de uma mulher.
O demônio me bafeja o calcanhar,
me cega os olhos cansados do caos cotidiano.

A árvore da eternidade tem as raízes para o ar.
Pássaros voam com ramos verdes no bico,
e caem pesados, estupefatos.
As águas vão e voltam, inúteis.

Além do véu
e dentro do espelho,
conheço quem sou: ninguém.
Espectro de outrem me habita.


sábado, 12 de fevereiro de 2011

A CABEÇA DE BOI



                                
A CABEÇA DE BOI


            Uma cabeça de boi pendurada no mourão da porteira.
É velha, está quebrada, os chifres estão quebrados. Entram e saem abelhas por todos os lados.
As abelhas fizeram a sua cachopa dentro da cabeça de boi. Pinga mel pelos dentes, pelas narinas da cabeça de boi.
Os dentes são dourados de mel, o hálito é doce, meloso, perfuma até o ringido da porteira.

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A Sônia postou esses dias uma cabeça de boi no Flickr. Lembrei-me de que eu fotografei também a mesma cabeça. O texto é de uns dez anos antes. 

 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Candelabro



O CANDELABRO

 

Acendo o candelabro

do universo

com a minha palavra.

 

Ouça o monjolo

como mói

o ouro

do tempo

 

e com o milho

das estrelas

compõe

 

as cores

fúlgidas

da aurora.

 



Selos

Ganhei estes selos do blog Versos de Luz.


Como sou preguiçoso, respondo apenas as questões da Luiza:

1. Poema favorito:


PEQUENO POEMA SOBRE O FIM DO MUNDO 


Quando chegar o fim do mundo,
A abelha estará sobrevoando a espora-de-galo,
O pescador estará consultando a rede brilhante,
Os delfins estarão saltando alegres no mar,
Os pardais estarão a reunir-se sobre o telhado,
A pele da cobra brilhará como sempre.

 
Quando chegar o fim do mundo,
As mulheres irão para debaixo dos guarda-sóis,
O bêbado adormecerá em algum lugar sobre a relva,
Os verdureiros farão suas vendas gritando,
O barco de vela amarela chegará à ilha,
As violas soarão no ar,
Abrindo a noite estrelada.


Quem esperar raios e trovões
Vai decepcionar-se;
Quem aguardar um sinal e trombetas de anjos,
Nem acreditará que o fim já chegou.

 
Enquanto o sol e a lua brilharem lá em cima,
Enquanto o insecto visitar a rosa,
Enquanto crianças coradas ainda se alegrarem,
Ninguém acreditará que o fim já chegou.

 
Até que o velhote grisalho, que poderia ser profeta,
Mas não é profeta, porque o seu trabalho é outro,
Dirá ao amarrar tomates:
Nem haverá um outro fim do mundo.

 
Czeslaw Milosz


Poeta e ensaísta polaco, nascido em Kédainiai, na Lituânia, em 1911.
Foi Prémio Nobel da Literatura em 1980.
Faleceu em Cracóvia em 2004.



2. Escritor favorito: Graciliano Ramos

       Vou acrescentar aqui a observação que ainda não vi ser feita sobre Graciliano, assim justificando porque  gosto de sua prosa: Vidas Secas é um grande poema (Não o escrevi acima porque é muito grande). É todo feito de imagens, e imagens sensoriais (Você sente sede, sente na pele a secura das Vidas Secas) como só o melhor poema consegue.

3. Filme que recomendo: VIDAS SECAS, de Nelson Pereira dos Santos. 

4. Porque escrevo: Fui aprender tocar órgão. Como não distiguia uma nota da outra, mandaram-me aprender datilografia. Parece brincadeira, mas é sério: escrever foi a única coisa que consegui aprender. 


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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O ESTRANHO



                                                                    
O ESTRANHO


O dia amanhece carregado de pássaros.
O canto dos pássaros vai romper o silêncio das dálias.
É meu o cavalo. É minha a montanha.
É minha a rosa perdida no barco do olvido.

Todos os caminhos levam ao deserto.
A faca na garganta ilumina a cicatriz do enigma.
Pairo sobre as vagas do mar eterno e vejo Deus.
Ergo o cálice dourado e bebo o vinho da rosa.

As palavras são duras como pedras.
Estou com as mãos feridas de tanto lavrar as palavras.
Envelheço. Um estranho me olha do espelho.
Devoro as pedras do estigma.

Anoitece na casa vazia. Há um lugar vago
no álbum de retratos. Em breve serei antepassado.
Ouço a voz de Deus. O verbo de Deus me chama.
O sopro de Deus outra vez molda a minha forma na argila.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O perfume das uvas




O perfume das uvas sob o sol de outubro.
O rio cresce, as águas se avolumam, destroem
                                as barrancas e as locas dos peixes.
As águas correm dentro das árvores, correm dentro de nós.
As nossas raízes se vão com as águas vorazes.
E as uvas perfumam a tarde sob o sol do outono.

Os abismos do mar deságuam por nós a dentro.
No canto selvagem do mar a voz do afogado,
estrangeiro como nós, sem pátria como nós.

O sal do mar nas pétalas caídas no altar.
O grito do gavião nas fauces do mar.
As vagas morrem na areia, os rochedos cobertos
                           de espumas, lágrimas escorrendo.
O mar uiva, as uvas perfumam a montanha.

Vou deixando as minhas pegadas na areia da praia,
pesadas, com sombra.
Cai a sombra na minha alma.
Logo se apagam as pegadas.
Um sino tange o tempo antiqüíssimo e sempre novo.

As gaivotas trazem o mar nas asas.
As árvores em chamas despencam no mar.
Flores voam no ar do verão.
Espumas e sangue escorrem do rochedo dos mariscos.
Um navio joga grossas ondas contra a ilha.
Línguas de fogo elevam-se da terra.

Este é o tempo dos mortos.
As mulheres se abrem aflitas para o céu.
Desfia-se o tecido das coisas.
Não somos. Sombras que a sombra devora.
Ouvi a voz dos mortos, como sementes,
brotando à borda dos poços.
Os vinhedos já não estão ao sol, as uvas
ainda perfumam os pássaros, as águas, os peixes.
O sino tange no horizonte, com sangue.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A ILUMINAÇÃO NO ESPELHO DA TARDE



                                 
                                 
A ILUMINAÇÃO NO ESPELHO DA TARDE


O rio carrega peixes mortos, homens mortos
e destroços, cavalos, vacas e cães mortos.
É a estação das brumas, das sombras,
da desgraça ancestral.

Choramos a nostalgia da rosa na pedra cinza.
Folhas de ouro caem da árvore do tempo, com fragor.
As faces esmaecidas de um paciente agonizante
deitado na mesa coberta de alvos lençóis.

A viagem não tem fim,
o porto à distância, cada vez mais longe.
A praia se retira, como o tempo, intocável.
Carrego a minha morte no bolso, no pulso, nos pés.

Ouço sempre o guizo da morte
pendurado no pescoço, junto à canga velha.
O rio chega ao mar, eu chego ao mar,

as águas do mar vão e vêm, eternas.
Viajo para um renovado horizonte,
de pássaros brancos, entre as brancas nuvens.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

As palavras de fogo

                     

                               

AS PALAVRAS DE FOGO

 

Piso as uvas no lagar.

Deus me açoita com uma vara de palavras.

 

Ouçam a harpa no escuro.

Ouçam a harpa gemendo como uma estrela estrangulada.

Ouçam a harpa.

Eu ouço a palavra.

Os vergões da palavra me comem a carne.

 

O mar me levou no seu sal inclemente.

O mar me levou para o horizonte branco.

O mar me cobre com seu lençol de espumas.

Deixei minha alma nas guelras de um peixe triste.

Mendiguei às portas dos pobres.

Mendiguei às portas dos soberbos.

Mendiguei as varas de Deus com suas palavras de fogo.

 

Saciei a minha sede com a água amarga.

Os cães me rodearam, farejando as minhas feridas.

Estou marcado a ferro pela palavra de Deus.

 

(jcmb - 2007)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A mesa dos mortos

Um socó desafia uma garça, abaixo da Ponte Velha, de Barra Bonita,
apontando para a estrada de Igaraçu do Tietê, de 1 km. que eu garbosamente 
percorri muitas vezes brincando, quando criança.




A MESA DOS MORTOS


Os mortos acordam, sentam-se à mesa comigo.
Têm pedras nas mãos e pássaros sobre os ombros.
É perigoso que as pedras matem os pássaros.
As palavras são pesadas como pedras.
Às vezes é preciso que as palavras matem os pássaros.

A minha mãe e o meu pai contam histórias.
Têm terra na boca e contam histórias.
As suas palavras são como a água no meio do mato.
Nas suas palavras, a alma de todos os que vieram antes.

O meu avô corta lenha com um machado negro.
O machado do meu avô corta a lenha da memória.
Se é verde, fica a secar ao sol.
É preciso apagar a memória das árvores.
Tanta água represada.

Deus preside a conferência dos mortos.
Deus guia a minha mão.
Não escreve por mim: muitas vezes apaga o que escrevo.
Deus me ensina: as palavras morrem.
As palavras precisam apagar o que existe.
É preciso deixar lugar para o eterno.




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            Poema de 2007.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A pedra da memória

Rio Tietê, com olarias ao fundo, visto da Ponte Campos Salles, a "Ponte Velha"
ou "Ponte de Ferro", entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, SP.




                               
A PEDRA DA MEMÓRIA


Plantei a pedra da memória na montanha.
Passei por aqui, neste lugar morreram
os meus pais, meus irmãos, meus avós.
Este é o tempo do infortúnio.
Jejuei na gruta do abandono
com os morcegos e as traças.

Os meus pés amassavam a argila de Deus.
Os meus dedos iriam, um dia, moldar a argila
em forma de cântaros preciosos.
Os meus lábios lhe iriam dar vida
com o sopro do verbo.
O verbo de Deus sopraria dos meus lábios
e os cântaros cantariam a música do eterno.

As cidades miseráveis do homem.
Os labirintos de cifras das cidades do homem
edificadas sobre o farelo dos desejos.
As palavras são intermináveis e não dizem nada.
Os lábios não beijam,
as línguas estão secas da saliva do espírito.
Os corações não têm sangue, mas números.
Os livros contêm resultados, são a tumba do olvido.

Eu sou o filho pródigo, retorno à casa do Pai.
Os jornais recolhem os excrementos das moscas,
eu retorno à casa do Pai.
O povo delira sob a fuligem do céu,
sob os tetos de vidro e aço,
exposto ao sol negro, que queima a alma.
Eu volto derrotado à casa do Pai,
mas ainda tenho o verbo de Deus nos lábios.

Os espinhos perfuram os meus pés.
A urtiga dilacera a minha face.
Somente o verbo fala comigo.
Ouço, no vento que passa, a voz de Deus.
Não entendo o mistério, mas sei que ouço a voz de Deus.

Um pássaro voou da árvore de fogo,
pousou no meu ombro com as garras vermelhas,
cantou as sílabas do verbo, impronunciáveis.
Amei a beleza desse canto, decifrei seu enigma:
é a rosa, a essência da rosa, a face de Deus.

Prostrei-me diante do altar.
Voltei as costas aos ratos insaciáveis.
Sigo a estrela. A porta está aberta.
Carrego nos ombros os cântaros do verbo,
com a água límpida do espírito.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A SUBLIME POESIA DA SÔNIA BRANDÃO

                          


                             Esse SUBLIME eu diria que é um bocado exagerado.
                             Mas considero a poesia da Sônia de excelente qualidade.
                             Vale a pena conferir a seleção de poemas que o Benilson

                             fez em seu blog  A NOVA POESIA BRASILEIRA



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As águas do eterno






AS ÁGUAS DO ETERNO

As águas correm, correm para sempre.
Sou só, sou a paisagem verde e Deus.
Uma garça branca pousa na margem do rio.
O sol pousa no horizonte vermelho.
Por que contemplar? Por que a luz, o êxtase?
Além do horizonte ergue-se um novo horizonte.

A árvore se transfigura, como Cristo.
A árvore sofre, agoniza, como Cristo.
Os frutos pendem da árvore, como pássaros maduros.
Colho os frutos e canto e conheço.
Como o sol, as águas correm para sempre.

A terra seca, o deserto onde não medra a semente.
Não edifico a minha casa nessa terra.
Este é o campo da penumbra.
Este é o campo da penúria, do silêncio seco de Deus.
Preciso de água para a minha argila.
Preciso de argila para o meu cântaro.
Preciso do cântaro para a minha face.
Modelo a minha face à imagem da face de Deus.
As águas correm para sempre.
Onde as águas que correm para sempre?

As vigas da minha casa estão podres.
Onde a palavra nova que sustente a minha casa?
Ouça o vento, que enferruja o arado.
Ouça o lamento dos sulcos, que esperam a semente.
Ouça a semente amarga florindo no meu túmulo.
As águas fluem, os horizontes fluem.
O pássaro e o trigo fluem, com a terra amarga.
No princípio era o verbo, eram os alvos lençóis.
No princípio eram as águas.
No princípio eram as garças brancas sobre as águas.
E as águas correm para sempre.



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 Foto na ponte sobre o rio Tietê, na divisa de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, onde passei os últimos anos da minha infância.

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sábado, 22 de janeiro de 2011

Elegia da lama

                                                                                            imagem: web

                                    


Elegia da lama


Uma rosa vermelha
afoga-se na lama

Uma mulher se ajoelha
coberta de lama

Repete-se o dilúvio
num mar de lama

A vida perde o sentido
coberta de lama





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Coisas



                               
A PALAVRA COISA

A poesia da palavra coisa.
O seu silêncio de ovo, de relógio.
A coisa é uma pedra no poema,
pedra de toque, fora e dentro: essência.


HORIZONTE

Chove lá fora, além das montanhas
no horizonte em frente
e num outro horizonte com que sonho sem fim.


FLOR DE PEDRA

A flor nasce na pedra,
a flor medra na pedra.
Nasce, medra, como tudo
para morrer.


NOTA

No velho livro,
uma data e a nota:
“Trocaram o nosso gato.”


NO MEIO DO CAMINHO

Tinha uma pedra no meio do caminho.
Pus de lado e sentei em cima
para descansar.


COMPOSIÇÃO

Entre coisa e cousa
componho o poema
com giz e lousa.


O GUARDA-CHUVA

Abro o guarda-chuva
contra as águas do dilúvio
e morro afogado.


ELÉTRICO

Meu céu ficou elétrico
na objetiva da minha câmara
e nas minhas retinas.


 A COISA
 
A poesia é uma coisa
que ninguém sabe o que é
e se soubesse, o que adiantaria?





terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O espelho de bronze




                               
O CANÁRIO

O canário de ouro
entre as folhas da árvore
e os meus olhos.


A SOMBRA DAS NUVENS

Somente as nuvens fazem sombra
sobre as pedras e a areia do deserto.


O ESPELHO E O PÓ

O espelho reflete o pó sobre o relógio.
O pêndulo, pesado de sombra, não para.


VIRGÍLIO

Virgílio escreve o poema
do mar, dos deuses e dos homens.
Aos poucos a sua coroa de louros
transforma-se em bronze e ouro.


EVA

Eva recebe da serpente
uma maçã
e a minuciosa arte de amar.


O ESPELHO DE BRONZE

Eu sou aquele que esquece.
Eu sou o esquecimento.


ESCREVO PARA NÃO ESQUECER

A poesia é filha da memória.
As imagens no espelho se iluminam
sob as águas do esquecimento.


A ROCA

O fio segue-se a outro fio
e a meada se completa.
E a roca a fiar, a roca a fiar.


O HIBISCO

O hibisco estende o pecíolo
à frente de suas largas pétalas.
Ofertório à beleza vermelha.



domingo, 16 de janeiro de 2011

Cruzamento perigoso




                            
AS VACAS

As vacas pastam a tarde
à beira do canavial.
Nuvens brancas, céu azul.


PLACA

A placa amarela
CRUZAMENTO PERIGOSO
e um cachorro morto.


RESINA

O tronco cortado
da velha árvore doente
e o ouro da resina.


O VENTO LEVA

No tronco cortado
a imagem de um coração
e a serragem ao vento.


O NINHO

O pequeno ninho
e a dança do beija-flor
ao vento da tarde.


O HIBISCO

O hibisco vermelho
entre as folhas verdes
que a lagarta rói.


A PALMEIRA

A palmeira verde
no pasto à beira do mato
e as flores azuis.


O QUERO-QUERO

A flor amarela
e a marcha do quero-quero
à beira do lago.


JANEIRO

Céu de janeiro.
As nuvens cobrem
todas as estrelas.


O ESTRANGEIRO

Sou um estranho no espelho.
E as nuvens passam
sob o sol que fica.