Mostrando postagens com marcador incêndio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador incêndio. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Poema em memória dos três edifícios que desabaram no Rio

                                                                                                                                                                                                          Victor R. Caivano AP





AS ASAS DA LIBERDADE


A Liberdade implodiu.
                                         O chão logo ficou coberto 
de caliça, entulho, ferro, pó e sangue.
                                                               A Liberdade,
como um castelo de cartas,
implodiu o Colombo sem nenhuma nau, nenhum mar mais
para navegar,
e outro edifício menor, que nem nome tinha.

            Resta uma árvore, com suas folhas verdes,
            sobre a desolação.

Alexandre sentiu que o chão lhe faltava
e entrou no elevador,
procedimento menos correto que possa haver.
                                                                             O elevador
despencou com o prédio
                                         e Alexandre se salvou sem um arranhão.

Maria
            (vou chamá-la apenas Maria, agora ela
              não pode se importar com mais nada),
Maria também sentiu que o chão lhe faltava
e procurou a escada.
                                    Era o procedimento correto,
mas a escada despencou e Maria só pôde dizer
Meu Deus
                      e tudo estava consumado.  






domingo, 17 de outubro de 2010

O circo de cavalinhos



Os cavalos loucos

Os cavalos loucos cavalgam na lua.
São cavalos cegos e tocam música
e cantam versos verdes e vermelhos
e cantam com um peixe na garganta.

Os cavalos loucos comem na minha mão,
comem milho e ouro cantando baixinho.
São cavalos felizes e riem de mansinho
e gargalham com a chuva e com as árvores.

Um dia pegou fogo nos cavalos loucos,
o carrossel girava, girava em chamas.
Sobrou apenas a alma dos cavalos loucos,

sobraram os olhos dos cavalos queimados.
Os olhos doíam e choravam lágrimas de fogo,
os olhos de fogo eram a alma dos cavalos loucos.

__________

A Ignácio de Loyola Brandão

___________

Ignácio de Loyola Brandão esteve em Bauru há uns dois anos e contou a história do circo de cavalinhos do seu avô, que eu recrei à minha maneira neste poema.

___________