quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A JOAN MIRÓ




















JOAN MIRÓ


O pincel sábio pinta o sonho
e o silêncio

Como num jardim a flor que nasce sozinha
ou o rabanete e suas folhas na horta da tela

Um jardim com burro
a vinha e as oliveiras
a fazenda do sol com a escada e a montanha

No carnaval do arlequim
a mulher do fazendeiro tem os pés plantados na terra
suspensos no ar

A alegria no ideograma da cor e da forma
a freira e o pássaro
um inseto e uma estrela

O boné frígio do camponês
o cão ladrando para a lua
a natureza-morta com sapato velho 

O caramujo e os escaravelhos
o garfo e o pente
e uma pedra não é uma pedra mas o corpo da cor

Os olhos são felizes
a concha dança no palco

Não existem enigmas
a tinta negra na tela branca

A mão na tela aplaude os elementos simples
o martelo bate no prego e voa uma ave cantando

A figura salta do nada como um foguete
aceso nos olhos de uma menina melancólica

Os dedos desenham a música
do silêncio.

                                     José Carlos Brandão



4 comentários:

dade amorim disse...

Mais Miró, impossível, José Carlos. Perfeito.
Beijo.

Wilson Torres Nanini disse...

José Carlos,

Seu poema parece a biografia de um Miró dos melhores.

E se "não existem enigmas", tudo é alegria espontânea.

Um relento em pleno festim, dos mais emocionantes!

Abraços, grande poeta das sensibilidades!

Unknown disse...

Igual, igual!!!

Unknown disse...

LINDO! LINDO!

Escreveu e transcreveu Miró!


Fantástico!

Beijos

Mirze