terça-feira, 13 de setembro de 2011

A MARC CHAGALL




























MARC CHAGALL


As manchas da mão da criança
o cavalo e a menina
o relógio

Ícaro cai e sorri
a vaca com o violino
a nuvem azul sobre o campo verde

Borrões no deserto
verde e azul na areia fina
um quadro no quadro
a torre Eiffel
os ausentes

As cores batem palmas
os pássaros as pedras batem palmas

As imagens no espelho d’água
as palavras puras na paisagem

O Gênesis
Moisés
o Cântico dos Cânticos
o ventre da mulher
o cavalo alado no útero

O sonho de Jacó
a escada e o anjo
o vermelho do sangue e do destino

Quebra-luz
as lágrimas
a pintura tem cheiro de vela queimada

Os dois anjos de Assis
o homem e a mulher
o amor tece as flores de todas as cores

Um peixe e as doze tribos de Jerusalém
as árvores batem asas
e a beleza

O volume da luz nos corpos
as risadas dos vitrais

A mancha da mão da criança
marca a vida
                       brincadeira antiga.                                 



5 comentários:

Anônimo disse...

o vermelho do sangue e do destino.

Victor Gil disse...

Amigo J. C.

"As cores batem palmas
os pássaros as pedras batem palmas"

Só pode mesmo ser um aplauso total e de pé, nesta homenagem a Marc Chagall.
Um abraço.
Victor Gil

Unknown disse...

José Carlos Brandão!

Em Chagall você caprichou. Uniu o místico ao poético e aconteceu um dos mais belos poemas que já li aqui!

Aplausos!

Beijos

Mirze

Bazófias e Discrepâncias de um certo diverso disse...

Conheci um pouco do Chagall através do Moacyr Scliar, já que Chagall retratava muito das comunidades judaicas (shtetls) e suas casinhas. Gostei bastante também, dessa união de místico e poético! abraços

Marcelo Novaes disse...

Oi, José Carlos!


Se houver interesse em guardar a entrevista que vc me deu, eis o blog:


http://marceloconversacom.blogspot.com/





O bloco de Notas foi deletado, e este será também. Em breve.




Um abraço!