sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Êxtase em Ouro Preto





























ÊXTASE EM OURO PRETO


A luz cai de chapa nas pedras
das ladeiras de Ouro Preto.
As montanhas sonham
sob o círculo de sombra
do sol.
As igrejas desdobram-se do plano do eterno
para a terra.
As casas olham circunscritas nesse espaço de muralhas.

Os corpos domados tiram as telhas
vermelhas
das almas.
As nuvens são ovelhas
apascentadas
por um pastor louro.
Um pastor louro e quieto apascenta as nuvens e as almas.
Toca uma flauta nas águas lavadas no ar do crepúsculo.

Este não é o lugar do caos.
Este é o lugar da dor
e da bênção.
O seio
da minha mãe – Nossa Senhora! – alimenta
as crianças.

Um rito antiquíssimo
e novo
se renova de porta em porta.
Um cálice pesado como chumbo se eleva com o sangue de Deus.
O ouro do altar conjuga as sílabas sagradas do verbo do eterno.



3 comentários:

Fernando Campanella disse...

Há lugares assim, que parecem dizer à alma, mas na verdade são paisagens de nosso próprio interior. Belo poema em ouro preto, a riqueza de nossa herança a fluir pelos versos.
Linda foto de Ouro Preto também. Parabéns, Brandão. Forte abraço, meu caríssimo amigo.

Adriana Godoy disse...

Ouro Preto! Um poema que faz jus a sua magia!!! Beijo

Unknown disse...

NOSSA! Como é lindo Ouro Preto.

E frio, e ladeiroso, mas parece um sacrário, habitação de Deus. O povo de lá, as edificações, tudo me parece um horizonte perdido.

Beleza de postagem!

Beijos

mirze