quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

NO MURO DAS LAMENTAÇÕES





NO MURO DAS LAMENTAÇÕES

Rabiscou seus desejos e os enfiou numa fenda
no Muro das Lamentações.

“Foi atendida?”, perguntou um cético,
“não é o mesmo que estar falando com pedras?”

Ela não tirou os olhos do Muro, movendo continuamente
os lábios trêmulos. Eu mesmo tive que responder:

“Ela
fala com pedras. Deus escuta.”

Bombas caíam não muito longe. No Muro apenas se ouvia
o silêncio de Deus.



AS CHAGAS

Pôs o dedo em minha chaga: queimava.
Pus o dedo em sua chaga: iluminava.

A sua chaga e a minha chaga são uma só chama
e queima e ilumina a noite mais escura.

Os cravos são de ferro e ferem a carne pobre.
Os cravos são de ouro e coroam a alma nobre.

_________

9 comentários:

chica disse...

Lindos e profundos versos gêmeos...abraços,chica

Lídia Borges disse...

A Fé é algo tão íntimo que não permite comentários.

Um prazer esta leitura.


Um beijo

Unknown disse...

Meu querido poeta!

Um primor os dois poemas.

"O Muro das Lamentações", balançou meu coração. Emocionou.

MUITO!

Beijos

Mirze

Cris de Souza disse...

com fé não se discute...

até pedra vira amuleto!

beijo, querido.

(agradeço sua luz no trem da lira)

Adriana Godoy disse...

Pois é, esses assuntos me deixam meio assim, assim....o poema é lindo. Às vezes, sinto "inveja" de sua fé.No bom sentido. Beijo

Néia Lambert disse...

E Deus escuta mesmo! a fé não tem lugar ideal para ser expressada.
Um abraço.

Mar Arável disse...

Abraços

Jota Brasil disse...

Me quebrou hehehe...
Raramente me acontece isso mas fiquei sem saber o que dizer.
Eu tive o prazer de conviver com esse gênio na condição de seu aluno...e deixei escapar uma chance preciosíssima que a vida me deu de absorver seu conhecimento. Bom, quem sabe aqui possa resgatar isso?

frô disse...

Doces e flutuantes... libélulas tb flutuam...