sábado, 21 de novembro de 2009

Poema da necessidade




Os meus olhos de homem são cegos, a minha língua é seca. Preciso um sinal de Deus.
Estou cansado de apalpar o escuro e destilar palavras de pó.

Sou um homem, não domino as categorias do divino.
O meu sentido do êxtase é o pão nosso de cada dia.

As solas dos meus sapatos estão gastas,
Eu não me canso de andar, sempre para mais além:
A beira do abismo não é própria do homem.

A mesa posta, o pão e o vinho, a palavra e a luz
São tudo de que preciso para celebrar a vida.
Caminho entre as rosas, sob a chuva das estrelas,

Abraço a minha mulher e o meu filho,
O espírito nos une sob o mesmo teto.
Mas sou um homem e preciso ver a face de Deus.

_________

A Carroça do Caos é de 2007.
Poema da Necessidade (sim, o título lembra Drummond), antes chamado simplesmente Um Homem, é de um ano depois. Como eu andara lendo Milosz, achei até que copiara ou tomara de empréstimo a ideia. Relendo, não a achei em Milosz. Estava na Carroça do Caos - plagiara a mim mesmo, com o trabalho apenas de suavizar a linguagem. Ofereço aqui aos leitores como amostra do meu processo criativo, com muito de inconsciente.

10 comentários:

Cris Animal disse...

Que bom estar aqui!
venho desta vez por outra rua....rs
Entretanto, amo este canto, amo as suas poesias e da Sônia.
Essa maneira de ser e se mostrar.
Pensou que fosse plágio?

Sua poesia é a simplicidade colocada em mesa com rendas e copos de cristais. É a comida simples , caseira e bem feita, colocada em travessas de porcelana e servidas à luz de velas!

Não há plágios...há corações que caminham na mesma via, que captam as mesmas coisas e depois, alguns poetas que em sua genialidade nos mostram o que sentiram e viram!

Simples, né?

Beijo grande....saudade de vc !

Agora, vou na Sônia...rs

AFRICA EM POESIA disse...

CARLOS

O regressar a casa é felicidade.
Sentir o vosso apoio ainda melhor.
Começo a escrever devagar mas depressa vou estar a 100% tenho certeza
Para ti o meu carinho e a poesia é muitas vezes para nos libertar

Adriana Godoy disse...

JC, então precisa ver Deus. Se ele existir, uma parte está na sua poesia. beijo.

Fernando Campanella disse...

Um hino à alma em busca de Deus, meu caro amigo. Poema belíssimo, e a foto, também, de tirar o fôlego. Feliz a alma que não se contenta com as rígidas configurações do mundo. Grande abraço.

Graça disse...

Com,ou sem explicação... é um poema magnífico.

Um beijo de carinho, querido José.

NDORETTO disse...

Como eu diria? Eu não diria mais que isso: gosto da sua poesia,meio sagrada,meio humana, água benta e desobediência_______ Gosto Pacas! (rsrsrsr)

beijo,Zé,neusadoretto
http://poesiarapida.blogspot.com/

AFRICA EM POESIA disse...

JOSÈ CARLOS
Feliz por sentir...
Que estamos...Juntos

deixo-te as minhas mãos

MÃOS


Mãos...
Trémulas
Cansadas...
Mãos que esperam...
Por algo que não vem...
Mas esperam...
Pacientemente...
Porque...
Mesmo cansadas...
Afagam...
E acarinham...
E estão à espera
Que venhas...
Porque estão cansadas...
De esperar...
E de sofrer...
E querem...
Com muito carinho...
Dizer-te baixinho...
Vem e deixa-me...
Acariciar-te!...

Lili Laranjo

Tais Luso de Carvalho disse...

'Abraço a minha mulher e o meu filho,
O espírito nos une sob o mesmo teto.
Mas sou um homem e preciso ver a face de Deus'.

Religiosidade forte e bonita, Brandão.

Meu pai era um homem de fé, e nunca esqueci quando, doente, nos seus últimos dias, disse-me: minha filha...eu não largo a mão D'Ele nem para dormir, não por medo, mas por amor...
Há maior demonstração de fé?

bjs
tais luso

nydia bonetti disse...

Difícil ser humano... Mas aqui, o poeta toca o céu.

beijo

lírica disse...

"Caminho entre as rosas, sob a chuva das estrelas,"


Divino!

Você é um ser abençoado Brandão!

bj