sexta-feira, 23 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
domingo, 28 de agosto de 2016
XADREZ
XADREZ
As ruas da
cidade são um labirinto.
Eu sou como
uma peça de xadrez. Quem joga?
Não posso
partir, espero a próxima jogada.
A cidade gira,
o mundo gira, as galáxias giram.
Os meus livros
estão parados na estante.
Faz barulho de
chuva lá fora. Mas não chove.
O ar está
esfumaçado, venta, cheira mal.
Homens e
mulheres correm apressados,
como se perder
o ônibus fosse perder a vida.
Já são mais de
seis horas, os escritórios estão fechados.
Não é possível
entender a humanidade.
Eu preciso
partir, mas para onde? Por quê?
Espero a
próxima jogada na partida de xadrez.
Eu sou uma
peça – perplexa – no tabuleiro.
Talvez a
próxima jogada finalmente seja a minha.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
O MENINO DA GUERRA
O MENINO DA GUERRA
O menino foi salvo dos
escombros da casa.
Tem sangue no olho esquerdo, tem terra no direito,
tem sangue e terra na boca. Mas não chora.
Olha a cor do mundo sem compreender.
Tenta desenhar no chão com a mão esquerda, nem sabe o quê.
Abre a boca, mas não fala nada. Tornaram-se inúteis todas as palavras.
Tem sangue no olho esquerdo, tem terra no direito,
tem sangue e terra na boca. Mas não chora.
Olha a cor do mundo sem compreender.
Tenta desenhar no chão com a mão esquerda, nem sabe o quê.
Abre a boca, mas não fala nada. Tornaram-se inúteis todas as palavras.
Um avião jogou uma bomba sobre
a sua casa,
como se ele fosse o inimigo. Impossível compreender.
A sua casa é um monte de destroços.
Onde estão o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos?
Ele nem tem força para perguntar. São questões muito transcendentes.
como se ele fosse o inimigo. Impossível compreender.
A sua casa é um monte de destroços.
Onde estão o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos?
Ele nem tem força para perguntar. São questões muito transcendentes.
Ergue a mão esquerda, olha-a,
não sabe o que fazer com ela.
Viu um homem morto pela primeira vez na vida,
era um espetáculo muito feio. Ficou sem ação.
O que é o mundo, meu Deus? A sua casa destruída,
um homem morto ao lado. Não sabia o que dizer, o que pensar.
Viu um homem morto pela primeira vez na vida,
era um espetáculo muito feio. Ficou sem ação.
O que é o mundo, meu Deus? A sua casa destruída,
um homem morto ao lado. Não sabia o que dizer, o que pensar.
O que mais vai acontecer? O que
será a morte?
Ele vai morrer? Queria ser invisível, queria deixar de existir,
por um breve momento que fosse.
Sonha com um mundo feliz.
Mas será permitido sonhar com um mundo feliz?
Ele vai morrer? Queria ser invisível, queria deixar de existir,
por um breve momento que fosse.
Sonha com um mundo feliz.
Mas será permitido sonhar com um mundo feliz?
domingo, 21 de agosto de 2016
O SÉCULO XXI
Banksy
O SÉCULO XXI
Espera-se que
este século seja melhor que os outros.
É jovem ainda,
mal ensaia os primeiros passos,
tem a vida
toda pela frente, tem tudo para ter homens melhores
e coisas
melhores, menos mortíferas.
Verdade que
carrega nas costas erros demais,
o resíduo das
catástrofes de todos os séculos passados.
Nasce velho
já, carcomido de furúnculos mortais
e o seu sangue
está podre nas artérias.
O coração é
velho, já não serve para mais nada.
Os pulmões
estão secos.
Não tem mais
forças ou não sei que condição
para buscar a
felicidade ou outro alívio mínimo.
Os homens
vivem o tempo da pressa, sem válvula de escape.
Olham-se nos
olhos uns dos outros e não se reconhecem.
Aliás, nem se
olham mais nos olhos.
O terror tomou
conta das ruas das cidades.
Vive-se em
estado de sítio, dorme-se com o inimigo,
a morte
espreita a cada canto.
O mundo pode
explodir,
o chão a seus
pés, a sua casa, o seu carro
podem explodir
a qualquer momento do dia ou da noite.
Este século
herdou desgraças demais,
a guerra, a
fome, as doenças acabam com o ser humano.
O homem é
inapelavelmente uma raça em extinção.
O mundo era um
projeto maravilhoso.
Ficou no papel
ou na cabeça dos sonhadores,
talvez na
mente de Deus, que deve estar arrependido da sua criação.
O homem provou
que é imbecil, quer se destruir.
A razão é um
instrumento fora de uso, a alegria enferrujou,
a esperança
não é mais uma planta verde, murchou,
apodreceu no
caule ainda mal formado.
O mundo não
tem solução,
o homem não
sabe mais como viver.
Não há
respostas, já nem se sabe ao menos que perguntas fazer.
Sem esperança,
espera-se que este século seja melhor do que os outros.
Agonizando,
espera-se sobreviver.
terça-feira, 26 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
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