O MORTO DE GIACOMETTI
Largado em sua cama,
a pele amarelo marfim,
recolhido em si mesmo e já
estranhamente distante,
os membros de uma magreza
esquelética, projetados, esparramados,
abandonados
longe do corpo,
uma imensa barriga inchada, a
cabeça
jogada para trás,
a boca aberta como um objeto, uma
pequena caixa, mensurável,
insignificante.
Então uma mosca aproximou-se do
buraco negro de sua boca
e vagarosamente desapareceu
dentro dela.

