segunda-feira, 30 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Poemas do Livro dos bichos na revista Diversos Afins
http://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-44/
segunda-feira, 25 de abril de 2016
KAFKA NA PRAIA
Max Brod e Franz Kafka na praia, em 1907
KAFKA NA PRAIA
Kafka na praia
só via paredes
não é possível
imaginar Kafka na praia
senão vendo
paredes
a vida de
Kafka foi uma parede
talvez a vida
tenha portas e horizontes
mas não para
Kafka
talvez
houvesse uma porta na parede de Kafka
e fosse apenas
para ele
mas ele sabia
a linguagem do inelutável
as ondas vão e
vêm continuamente vão e vêm
contra a
parede a parede a parede
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O POEMA É
O POEMA É
O poema é uma
coreografia da alma
(disse Maria
Cristina Ehmke)
é a palavra
como uma dançarina nua
é uma faísca
riscando a pele da noite
é um grito no
escuro um grito sem som
as ondas se
espiralando no ar
cada vez mais
angustiosas gelatinosas sempre
voláteis é um
nome dado às coisas
que se
transforma nas próprias coisas
é música antes
de todas as coisas como queria Verlaine
e é silêncio
é o que o mar
ensina
é o que a
morte ensina é o medo da morte é o medo do medo
o poema é o
poema em si o poema sem mais nada
o poema é uma
forma concentrada
o poema é uma
forma em êxtase
o poema é a
chave e a ausência da chave
o poema não é
sábado, 2 de abril de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
UM HOMEM PASSA COM UM PÃO AO OMBRO (César Vallejo)
UM HOMEM PASSA COM UM PÃO AO OMBRO
Um homem passa com um pão ao ombro
- Vou escrever, depois, sobre o meu duplo?
- Vou escrever, depois, sobre o meu duplo?
Outro senta-se, coça-se, tira um piolho do sovaco,
mata-o
- Com que desplante falar da Psicanálise?
- Com que desplante falar da Psicanálise?
Outro entrou em meu peito com um pau na mão
- Falar, em seguida, de Sócrates ao médico?
- Falar, em seguida, de Sócrates ao médico?
Um coxo passa dando o braço a um menino
- Vou, depois, ler André Breton?
- Vou, depois, ler André Breton?
Outro treme de frio, tosse, cospe sangue
- Convirá não aludir jamais ao Eu profundo?
- Convirá não aludir jamais ao Eu profundo?
Outro busca no lodo ossos e cascas
- Como escrever, depois, sobre o infinito?
- Como escrever, depois, sobre o infinito?
Um pereiro cai de um telhado, morre, já não almoça
- Inovar, em seguida, a metáfora, o tropo?
- Inovar, em seguida, a metáfora, o tropo?
Um comerciante rouba um grama no peso a um freguês
- Falar, depois, da quarta dimensão?
- Falar, depois, da quarta dimensão?
Um banqueiro falsifica o seu balanço
- Com que cara chorar no teatro?
- Com que cara chorar no teatro?
Um pária dorme com um pé às costas
- Falar, depois, a ninguém de Picasso?
- Falar, depois, a ninguém de Picasso?
Alguém vai num enterro a soluçar
- Como em seguida ingressar na Academia?
- Como em seguida ingressar na Academia?
Alguém limpa uma espingarda na cozinha
- Com que desplante falar do mais além?
- Com que desplante falar do mais além?
Alguém passa a contar pelos dedos
- Como falar do não-eu sem dar um grito?
- Como falar do não-eu sem dar um grito?
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César Vallejo (tradução de José Bento) |
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