quarta-feira, 28 de setembro de 2016

UM JUMENTO CHAMADO RELÓGIO



UM JUMENTO CHAMADO RELÓGIO

O nome do jumento é Relógio. Diz as horas? Diz todas as horas, não importa quais sejam. Relógio zurre as horas e seu zurro quase humano é do tamanho da sua solidão.
A mãe morreu de velhice, Relógio deu de marcar o tempo zurrando de hora em hora. Depois zurra quando se sente só. No meio do dia ou no meio da noite: sempre se sente só.
Relógio se espoja na areia, depois chacoalha a areia dos pelos tristes: ampulheta em forma de jumento. Sempre há uma hora que não cai da ampulheta, o tempo que não passa, o tempo que dói. E Relógio zurre com mais sentimento.







quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A língua seca

                                                                                                                                                poema de O silêncio de Deus, 2008





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Oferta

                                                                                            de O silêncio de Deus, 2008



sábado, 3 de setembro de 2016

O TEMPO NAS COSTAS





O TEMPO NAS COSTAS


Carrego o tempo nas costas
como um burro de carga

a solidão quebra os meus ossos
o tempo se parte

sou ninguém no universo
os espelhos estão quebrados

a minha caminhada não tem volta
o meu destino é a morte