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O olho mágico
A menininha se aproximou com um objeto na mão. Mostrou para o menininho sentado no banco, num canto isolado.
– Me dá um pedaço do seu lanche. Eu te mostro o meu olho – disse.
O menininho ficou olhando com olhos tímidos. Depois passou o pão com mortadela para ela, que lhe passou o olho.
Era bonito, como um olho de gente. Ele nunca tinha reparado que ela tinha um olho de vidro. Era tão alegrinha. Ele até diria: “Tem uns olhos lindos.”
Os dois comeram juntos. No intervalo, enquanto mastigavam, erguiam o olho contra o sol. Era azul, da cor do céu, combinava com a carinha alegre da menina.
– Um dia você me dá o seu olho? – o menino disse.
– Dou – ela disse, rindo com os dois olhos azuis.
– De verdade? Eu vou poder levar para mim? – ele disse.
Ela riu encantada, ele riu encantado. O olho azul outra vez nas mãos sorria como se fosse mágico. O menino pulava de contente:
– É meu! É meu! Vai ser meu! Vai ser meu!
Quando a menininha se mudou daquele lugar, não foi embora para sempre; o menininho já tinha ganhado o olho mágico e ficava vendo nele o sorriso da menininha. Nas horas mais tristes da vida, ele tirava o olho do bolsinho da calça, apertava contra o coração e sabia que nem tudo estava perdido:
– É meu! Ela é minha! Ninguém morre para sempre, ela deixou o olho para mim. Beija o olho com carinho, ergue contra o sol e suspira:
– Amorzinho!
