sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O olho mágico

 


                                             https://cronicascariocas.com/olho-magico/

 

 

                    O olho mágico

  

            A menininha se aproximou com um objeto na mão. Mostrou para o menininho sentado no banco, num canto isolado.

            – Me dá um pedaço do seu lanche. Eu te mostro o meu olho – disse.

            O menininho ficou olhando com olhos tímidos. Depois passou o pão com mortadela para ela, que lhe passou o olho.

            Era bonito, como um olho de gente. Ele nunca tinha reparado que ela tinha um olho de vidro. Era tão alegrinha. Ele até diria: “Tem uns olhos lindos.”

            Os dois comeram juntos. No intervalo, enquanto mastigavam, erguiam o olho contra o sol. Era azul, da cor do céu, combinava com a carinha alegre da menina.

            – Um dia você me dá o seu olho? – o menino disse.

            – Dou – ela disse, rindo com os dois olhos azuis.

            – De verdade? Eu vou poder levar para mim? – ele disse.

            Ela riu encantada, ele riu encantado. O olho azul outra vez nas mãos sorria como se fosse mágico. O menino pulava de contente:

            – É meu! É meu! Vai ser meu! Vai ser meu!

            Quando a menininha se mudou daquele lugar, não foi embora para sempre; o menininho já tinha ganhado o olho mágico e ficava vendo nele o sorriso da menininha. Nas horas mais tristes da vida, ele tirava o olho do bolsinho da calça, apertava contra o coração e sabia que nem tudo estava perdido:

            – É meu! Ela é minha! Ninguém morre para sempre, ela deixou o olho para mim.  Beija o olho com carinho, ergue contra o sol e suspira:

– Amorzinho!