quarta-feira, 24 de outubro de 2012

RASTROS NA AREIA (poemetos)





 

1.      CELEBRAÇÃO

Esqueça as palavras.
Celebre o corpo das coisas.


2.      O SILÊNCIO NÃO É A FALTA

O silêncio não é a falta da palavra
ou da música.
O silêncio é a solidão extrema.
O silêncio é um pássaro morto.


3.      O SILÊNCIO

Quanto mais escrevo, maior o meu silêncio.


4.      O TEMPO DA GAIVOTA

Vi a pegada da gaivota na praia,
deixei a areia escoar por entre os dedos.
O tempo da gaivota eu já tinha perdido.


5.      DISPOSIÇÃO

Não posso mudar o mundo.
Sacudo a areia do corpo
– vejo e passo.


6.      AS PALAVRAS E O CAOS

A palavra mar ou a palavra noite têm todo o mistério
de que o homem precisa.
Os seres marinhos, a beleza da floresta marinha
e os seres noturnos, a beleza do espaço infinito das estrelas
mostram como somos nada.
Ordenamos o caos, que nos sufoca.


7.      ÍCARO

Ícaro despenca do céu,
mancha o mar de sangue e de fogo do sol.
A cidade foi queimada, Ícaro morto saúda
as ruínas, a cinza, a beleza do desastre.






2 comentários:

R. Vieira disse...

Lindo demais!!
Um abraço!

Wilson Torres Nanini disse...

Ícaro, pássaro morto, silêncio, ruínas, eis a fórmula de uma poesia que, embora se nutra do querer-o-silêncio se veste da melhor palavra.

Abraços!

http://wilsonnanini.blogspot.com.br/