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sábado, 4 de abril de 2015

O GEBO E A SOMBRA (a Manoel de Oliveira)







O GEBO E A SOMBRA
         A Manoel de Oliveira


O Gebo disse que a miséria da vida não tem fim
Ele não pediu para nascer
Foi tirado à força do ventre da mãe

Disse e repete que não é senhor do seu destino
E que não existe maior desatino
Do que nascer para morrer.

Disse e repete que de nada valem as leis da tradição
Porque fala mais alto a voz do mal
No músculo duro do coração

Disse e repete que a pobreza dói
E o dinheiro é o único valor
O mundo é tão incompreensível que ele duvida de tudo






sexta-feira, 3 de abril de 2015

O VELHO DO RESTELO - A Manoel de Oliveira (11-12-1908 – 02-04-2015)







O VELHO DO RESTELO
A Manoel de Oliveira (11-12-1908 – 02-04-2015)


O que o Futuro mínimo nos reserva?
Acabaram-se as glórias do Passado.

De que vale a Saudade do que se foi?
Os Moinhos de Vento nos derrotaram.

O que pode nos dar a vaidade da Fama vã?
O sangue das Paixões lavou nossa Pátria.

Portugal dorme à beira-mar olhando o incerto
Destino pelas brancas brumas encoberto.

                                 





quarta-feira, 1 de abril de 2015

O homem inacabado

                                                                           O homem inacabado (2010) - Donizete Galvão                                                  in Vida Secreta 2








sábado, 14 de março de 2015

O CRISTO DA PEDRA FRIA


     



O CRISTO DA PEDRA FRIA


Escrevi,
como Murilo Mendes, sobre o Cristo
da Pedra Fria
sentado com os joelhos ossudos para o alto
como um esqueleto seco.

O meu poema gorou.
Nenhum poema é suficiente para essa dor extrema.








        A foto acima é do santuário do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria , de Jaguariaíva, PR. A imagem a que se refere o meu poema é de Bueno Brandão, MG (cidade que apropriadamente se chamou Bom Jesus da Pedra Fria; Bueno Brandão é apenas o nome do intendente de Minas Gerais, que não tem nenhuma relação com a cidade).