quarta-feira, 6 de julho de 2016

O MACACO






O MACACO


A morte das estrelas fez nascer
o meu corpo, as montanhas, os oceanos.
A explosão das estrelas espalhou
as entranhas no espaço sideral

e criou o sistema solar e este
macaco que questiona a sua origem.
Sou um resto de estrela com consciência.
O cosmo nasce da explosão do tempo.

Serei a consequência inevitável
de uma lei natural? Um acidente?
Sou ou não necessário ao universo?
Posso apenas medir? Existe um plano?

Somos feitos do cosmo e estamos nele.
A ciência busca Deus, concreto, físico.
Antes do tempo, Deus guarda a existência
e de mim mesmo sou um ancestral.





sábado, 25 de junho de 2016

A PRAÇA ABANDONADA

                                                                                             Escultura de Bassano Vaccarini





A PRAÇA ABANDONADA


na praça abandonada a fonte jorra ainda

não jorra leite e mel como na Bíblia
mas água cristalina

e os pombos bebem a água
e os ratos bebem a água
e os mendigos bebem a água

e ninguém morre na praça abandonada

nem a figueira que não dá figos
nem a mulher que amaldiçoa a vida
nem o menino com o ventre inchado

a fonte jorra como símbolo da vida

e um pássaro canta com a tristeza no bico
e um homem cala com a tristeza no bico
e uma formiga carrega o mundo nas costas

a fonte engasga de vez em quando mas jorra

                                   





quarta-feira, 11 de maio de 2016

A METADE DA NOITE






A METADE DA NOITE



A metade da noite e um sussurro
a metade da noite e um suspiro
a metade da noite e o abismo
você é um cego não vê o convite da morte
um lírio flutua no rio entre destroços
e animais mortos
um lírio flutua à beira da noite






sexta-feira, 29 de abril de 2016

Poemas do Livro dos bichos na revista Diversos Afins

                poemas: José Carlos Brandão                                              Arte: Helena Barbagelata


                                        http://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-44/








segunda-feira, 25 de abril de 2016

KAFKA NA PRAIA

 
                                     Max Brod e Franz Kafka na praia, em 1907                  





KAFKA NA PRAIA


Kafka na praia só via paredes
não é possível imaginar Kafka na praia
senão vendo paredes
a vida de Kafka foi uma parede
talvez a vida tenha portas e horizontes
mas não para Kafka
talvez houvesse uma porta na parede de Kafka
e fosse apenas para ele
mas ele sabia a linguagem do inelutável
as ondas vão e vêm continuamente vão e vêm
contra a parede a parede a parede