segunda-feira, 22 de julho de 2019
sábado, 13 de julho de 2019
Três poemas meus na revista Literatura & Fechadura
Três poemas de O país impossível, livro em preparo,
na revista Literatura & Fechadura
www.literaturaefechadura.com.br/2019/07/13/o-juiz-torcia-para-um-dos-times-tres-poemas-de-jose-carlos-brandao/?fbclid=IwAR3w08FT3bDcksFvt8jEhlhm7pSiDmKYW6PDpan7zT7gqmOW9FKWNxhC7pc
segunda-feira, 8 de julho de 2019
quinta-feira, 20 de junho de 2019
12 poemas in Germina - revista de literatura e arte
Uma grande honra participar da revista Germina. Confiram.
http://www.germinaliteratura.com.br/2019/jose_carlos_brandao.htm
quarta-feira, 19 de junho de 2019
O poema e o poeta
Picasso - Pinto e modelo
O POEMA E O POETA
Ninguém conhece o meu abismo.
Ninguém, o meu caos.
A poesia é um espelho, o poema é
um bronze infiel.
O poeta não tem a clareza da
superfície das águas.
É necessário uma faca para
esquartejar a realidade.
O poeta está sempre do outro lado
da lua.
O poema não tem sete faces, o
poema é um prisma de mil faces.
Joguem fora o meu cachimbo, joguem
fora a minha bengala.
As gaivotas morrem no mar, os
homens morrem na praia.
Eu sou um homem e a minha voz é
um eco da minha própria voz.
Quebrem o espelho, joguem fora o
poema.
Não se lê um poema para conhecer
o abismo do poeta.
O poema é o olvido e não se lê o
olvido.
.
“Um poema não lês,
não se lê o olvido.”
O Emparedado, 1975
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Este país não é para amadores
Este país não é para amadores
Este não é um país para amadores.
Acham que eu tenho nariz de
palhaço?
Este país nem limpando com aço.
Este país não tem jeito e nem
remediado está.
O sol nasce para todos, mas queima
uns mais que outros.
De dia falta água, de noite falta
luz
e tem gente que pensa que é
avestruz.
O que os olhos não veem mata o
coração.
Um marreco incomoda muita gente,
seu capitão.
O juiz torcia para um dos times.
Quem apita o jogo do juiz?
O juiz pisca mais que um pirilampo.
Tira o apito do juiz. Tira o juiz
de campo.
domingo, 9 de junho de 2019
Este país não é sério

Paul Gauguin
Este país não é sério
Os lobos
uivavam entre os currais de pedra,
o touro erguia
a argola pesada nas ventas,
um menino
chorava os filhotes de raposa mortos,
a mulher
sentia um estranho perfume de deserto
na roupa
lavada secando ao sol e ao vento.
Este país não
é sério e a roda d’água gira.
Ninguém olha para
trás. A torre de Babel
balança mas
não cai. Ícaro toma sol na lama.
Eu paro e olho
o horizonte de boca aberta.
Quem me
devolverá a língua que eu perdi?
Quem me
devolverá o nome que eu perdi?
A minha pátria
é uma língua estranha e inútil
cantada por um
andarilho idiota no nevoeiro.
terça-feira, 21 de maio de 2019
Toada para matar a morte
Botero - Dançarinos
Toada para matar a
morte
O
cavalo queria ser um leão
para
matar a morte.
O
cão queria voar alto como a águia
para
matar a morte.
O
bezerro queria ser forte como o touro
para
matar a morte.
A
águia queria ser um cavalo, o leão queria
ser
um cabrito, o touro queria ser uma andorinha
para
matar a morte.
O
cavalo queria decifrar o enigma da rosa,
para
matar a morte.
A
borboleta beijava os lábios da tarde
para
matar a morte.
Os
olhos enormes da libélula refletidos no lago
para
matar a morte.
O
baobá se ajoelha ao crepúsculo
para
matar a morte.
Eu
quero um martelo, um enxadão, um trator, um anzol
para matar a morte. quarta-feira, 24 de abril de 2019
Meu tempo
Kandinski
MEU TEMPO
O soldado me
apontou o fuzil e atirou.
Os fuzis
existem para atirar,
os soldados
existem para matar.
Vivemos num
campo cercado de arame farpado,
vivemos num
mundo em guerra sem trégua,
estamos
irrevogavelmente condenados ao extermínio.
Restam de nós
estranhas palavras nas paredes,
não restarão
as casas mas apenas as paredes
e aquelas
palavras que serão os nossos nomes
impronunciáveis
como fendas.
Fomos
condenados ao exílio em nossa própria terra.
Crescem ervas
daninhas entre as ruínas de nossas casas.
Deus abaixe a
sua mão cruel, Deus tenha piedade.
Vivemos em um
mundo em extinção,
o sal salga o
chão que pisamos e não conserva vida nenhuma.
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