
Paul Gauguin
Este país não é sério
Os lobos
uivavam entre os currais de pedra,
o touro erguia
a argola pesada nas ventas,
um menino
chorava os filhotes de raposa mortos,
a mulher
sentia um estranho perfume de deserto
na roupa
lavada secando ao sol e ao vento.
Este país não
é sério e a roda d’água gira.
Ninguém olha para
trás. A torre de Babel
balança mas
não cai. Ícaro toma sol na lama.
Eu paro e olho
o horizonte de boca aberta.
Quem me
devolverá a língua que eu perdi?
Quem me
devolverá o nome que eu perdi?
A minha pátria
é uma língua estranha e inútil
cantada por um
andarilho idiota no nevoeiro.



