terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
SONETO PROVERBIAL
SONETO PROVERBIAL
Deus dá o frio
conforme o comedor.
Glórias
passadas não movem moinho.
O último a
sair feche os olhos do morto.
Quem não tem
cão, caça com o do vizinho.
Em casa de
ferreiro, espeto de picanha.
Água mole,
pedra dura tanto bate até que vai embora.
Mais vale um
pássaro na mão do que dois na manga.
Atirou no que
viu, matou a sogra.
Quem tem
telhado de vidro não anda nu em casa.
Macaco velho
não põe a mão em bunda feia.
Nos menores
frascos, os melhores fiascos.
Atire a
primeira merda quem não for cagão.
Depois da
tempestade, vem a choradeira.
Manda quem
pode, obedece quem é bundão.
domingo, 8 de junho de 2014
ESPÍRITO PARÁCLITO - Jorge de Lima
ESPÍRITO PARÁCLITO
Jorge de Lima
Jorge de Lima
QUEIMA-ME Língua de Fogo!
Sopra depois sobre as achas incendiadas
e espalha-as pelo mundo
para que a tua chama se propague!
Transforma-me em tuas brasas
para que eu queime também como tu queimas,
para que eu marque também como tu marcas!
Esfacela-me com tua tempestade,
Espírito violento e dulcíssimo,
e recompõe-me quando quiseres,
e cega-me para que os prodígios de Deus se realizem,
e ilumina-me para que tua glória se irradie!
Espírito, tu que és a boca de todas as sentenças,
toca-me para que os meus irmãos desconhecidos e longínquos e estranhos
compreendam a minha fala para todos os ouvidos que criares!
Exceder-me-ei em meus limites,
crescerei em todas as distâncias,
serei a palavra transcendente, a profecia, a revelação e as realidades!
Sopra depois sobre as achas incendiadas
e espalha-as pelo mundo
para que a tua chama se propague!
Transforma-me em tuas brasas
para que eu queime também como tu queimas,
para que eu marque também como tu marcas!
Esfacela-me com tua tempestade,
Espírito violento e dulcíssimo,
e recompõe-me quando quiseres,
e cega-me para que os prodígios de Deus se realizem,
e ilumina-me para que tua glória se irradie!
Espírito, tu que és a boca de todas as sentenças,
toca-me para que os meus irmãos desconhecidos e longínquos e estranhos
compreendam a minha fala para todos os ouvidos que criares!
Exceder-me-ei em meus limites,
crescerei em todas as distâncias,
serei a palavra transcendente, a profecia, a revelação e as realidades!
Devora-me, renova-me, ressurge-me em tua vontade criadora
diante da morte e diante do nada!
Aguça a minha intuição,
descansa m minhas pupilas,
agita a minha lentidão,
faze-me numeroso como tu,
cobre todo o meu corpo de pálpebras que espreitem todas as latitudes e longitudes
e expectativas e anunciações e partos e concepções
e gerações e séculos de séculos!
Ressurgirei de todos os ventres
e voarei no sentido da perpetuidade sobre as águas e sobre as terras!
diante da morte e diante do nada!
Aguça a minha intuição,
descansa m minhas pupilas,
agita a minha lentidão,
faze-me numeroso como tu,
cobre todo o meu corpo de pálpebras que espreitem todas as latitudes e longitudes
e expectativas e anunciações e partos e concepções
e gerações e séculos de séculos!
Ressurgirei de todos os ventres
e voarei no sentido da perpetuidade sobre as águas e sobre as terras!
Desata-me Espírito Paráclito! Corta os meus laços,
sopra a terra que há sobre a minha sepultura!
Enche-me de tua verdade e sagra-me teu moderno apóstolo!
Amo como poeta a forma com que te apresentaste
à assembleia do Cenáculo!
E sinto a tua presença,
a tua aproximação, a tua unção sobre a minha alma!
Dá-me tua fecundidade sobrenatural,
tua heroicidade e tua luz!
Unge-me teu sacerdote,
teu soldado, teu vinho, teu pão,
tua semente, tuas perspectivas!
Espírito Paráclito, dedo da direita do Pai,
soergue as minhas pálpebras descidas e sopra sobre elas o teu hálito e tua essência!
sopra a terra que há sobre a minha sepultura!
Enche-me de tua verdade e sagra-me teu moderno apóstolo!
Amo como poeta a forma com que te apresentaste
à assembleia do Cenáculo!
E sinto a tua presença,
a tua aproximação, a tua unção sobre a minha alma!
Dá-me tua fecundidade sobrenatural,
tua heroicidade e tua luz!
Unge-me teu sacerdote,
teu soldado, teu vinho, teu pão,
tua semente, tuas perspectivas!
Espírito Paráclito, dedo da direita do Pai,
soergue as minhas pálpebras descidas e sopra sobre elas o teu hálito e tua essência!
Espírito Paráclito, amo-te, com os meus cinco sentidos,
com a minha imaginação,
com a minha memória e com os outros dons poéticos e proféticos e reconstituidores
que ultrapassam minha espessa matéria e meu espírito translúcido!
Sou teu ramo de oliveira que trazes dos dilúvios constantes da humanidade
e cujo óleo ungirá os meus iguais e os desiguais do meu tamanho!
Espírito Paráclito, tu que és o único pássaro que desce sobre mim na minha noite untuosa,
fura os meus olhos para que eu veja mais,
para que eu penetre a unidade que tu és,
a liberdade que tu és,
a multiplicidade que tu és,
para eu subir da minha pequenez e me abater em ti!
(A Túnica Inconsútil, 1938)
com a minha imaginação,
com a minha memória e com os outros dons poéticos e proféticos e reconstituidores
que ultrapassam minha espessa matéria e meu espírito translúcido!
Sou teu ramo de oliveira que trazes dos dilúvios constantes da humanidade
e cujo óleo ungirá os meus iguais e os desiguais do meu tamanho!
Espírito Paráclito, tu que és o único pássaro que desce sobre mim na minha noite untuosa,
fura os meus olhos para que eu veja mais,
para que eu penetre a unidade que tu és,
a liberdade que tu és,
a multiplicidade que tu és,
para eu subir da minha pequenez e me abater em ti!
(A Túnica Inconsútil, 1938)
sexta-feira, 6 de junho de 2014
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