domingo, 1 de junho de 2014

PRELÚDIO (Cai a noite de junho na sarjeta)































PRELÚDIO


Cai a noite de junho na sarjeta,
Cheira a fritura, bacalhau, carniça.
Eu me encolho na minha capa preta
E desafio para a mesma liça

A cruz e a rosa, o abismo das estrelas.
Corre a vida encardida como um rio
Nevoento aos meus pés, sob as janelas
De ninguém, no universo vão, vazio.

O vento chicoteia o corpo inútil,
Com os círios do nada ele me invoca:
Queima a chama o silêncio que me impus.

O tempo que me resta a mais deglute-o
Uma voraz lagarta na sua roca,
Mas a rosa floresce sobre a cruz.







sábado, 31 de maio de 2014

O CÉU CAI







O CÉU CAI


O céu cai com estrondo
Pensas na morte, só podes pensar na morte
Mas nem morrer te é dado
Há que caminhar – para onde?
Há que lutar – contra quem? Com que armas?
Ouves ao longe o balido das estrelas
Ouves o balido das crianças órfãs no nevoeiro.








sexta-feira, 30 de maio de 2014

OS TEUS OMBROS DOEM




































OS TEUS OMBROS DOEM


Os teus ombros doem
A tua alma dói
Não aguentas mais o peso do mundo
O navio naufragou
A praia estava deserta, infestada de serpentes
Nenhum alívio, nenhuma luz
Sucumbes com o peso do mundo.