sexta-feira, 16 de agosto de 2013

HAICAIS DA FOLHA SECA






HAICAIS DA FOLHA SECA


começo de outono
a folha seca repousa
sobre o tronco da árvore

anoitecer
o urutau se camufla
contra homens e bichos

a vida é perfeita
a sombra da lesma
não é a lesma

a flor seca
entre as páginas da Bíblia
floresce

um mosquito sobre a página
é como se o poema
voasse

inverno ou verão
um rato rói a roupa
da vida

o menino
tinha um cachorro no colo
e dava risada




terça-feira, 13 de agosto de 2013

HAICAIS À MINHA MANEIRA

Os meus haicais, com muita honra, no portal Cronópios:


                                   http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5722












HAICAIS DA ÁRVORE





A árvore florida
no campo de girassóis
sorri

Os cães disputam
como um tesouro
um osso seco

A cigarra canta
o sol do verão
até morrer

Enterrou o gato
no terreno baldio
como um ladrão

Eletrocutada
a maritaca seca
não canta mais

O que está escrito
no tronco da árvore?
Dói.





sábado, 10 de agosto de 2013

HAICAIS DA FORMIGA (ETC.)



Formigas e abelhas
sob o sol e o girassol
gira, girassol

No meio da sala
tinha uma barata morta
a festa das formigas

A formiga carrega
uma flor na cabeça
maior do que ela

A lagartixa me olha
com dois olhos enormes
quase me devora

A formiga carrega
o mundo nos ombros
a cigarra canta

No fim dos tempos
o mundo ficará
para as baratas






sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Danse russe - William Carlos Willians



DANSE RUSSE

Se quando minha muher estiver dormindo
e o bebê e Kathleen
estiverem dormindo
e o sol for um disco branco em chamas
em névoas de seda
brilhando acima das árvores, –
se eu no meu quarto ao norte
dançar nu, grotescamente
diante de meu espelho
acenando minha camisa em volta da minha cabeça
e cantando baixinho para mim mesmo:
"Eu estou sozinho, sozinho,
Eu nasci para ser solitário,
Eu sou melhor assim! "
Se eu admiro meus braços, meu rosto,
meus ombros, flancos, nádegas
contra as cortinas amarelas fechadas, –
Quem poderá dizer que eu não sou
o gênio feliz da minha família?

William Carlos Williams
Tradução:  J. C. Brandão






terça-feira, 6 de agosto de 2013

HAICAIS AO PÔR DO SOL






HAICAIS AO PÔR DO SOL


Inútil chorar
o leite derramado
mas dá uma raiva...

Morrer de velhice
é melhor do que de fome?
Pergunte ao morto.

A avalanche desce
leva tudo em seu caminho
que solidão...

Os bois pastam no pasto
com uma paciência infinita
à espera da morte.

Pôr do sol com árvores secas
como braços erguidos
ao céu








quarta-feira, 31 de julho de 2013

HAICAIS NA ÁRVORE





Um buraco na árvore
como um coração
seco.

Tinha um olho de vidro
que lustrava para brilhar
pelo menos esse.

Tinha uma mosca
na minha sopa
sabia nadar.

Da minha janela
olho o quintal sujo
do mundo.

Fechado no quarto
o velho em solidão
como um sapo.

O sábio e o mendigo
dormem de boca aberta
comem mosca.

O que está escrito
no tronco da árvore?
Dói.