quarta-feira, 13 de agosto de 2014

BAURU DAS ANÁFORAS






BAURU DAS ANÁFORAS


Bauru dos trens partindo rumo ao infinito
Bauru da cruz que floresceu no descampado
Bauru do sanduíche de Casimiro Pinto
Bauru nascida de um relógio atrasado

Bauru como templo das artes e do conhecimento
Bauru da Baixada do Silvino, do Bosque e do Horto
Bauru das ruas da memória e do esquecimento
Bauru das gabirobas nos campos do aeroporto

Bauru do arco-íris chorando sobre as casas
Bauru ungida com o óleo da copaíba
Bauru da búrica ao sol e da sinuca nas madrugadas
Bauru símbolo simples e completo da vida

Bauru multiplicando as palavras e a paisagem
Bauru dos espantos de Rodrigues de Abreu
Bauru iluminando as coisas e as imagens
Bauru da areia branca como poalha de estrelas




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MINHA LÍNGUA






 A MINHA LÍNGUA


A minha língua nos teus lábios
Sou um estranho na estrada
As lágrimas da aurora me alucinam

O vermelho das rosas como sangue
O meu coração pulsa
Deus rumoreja na fonte do bosque

Um cachorro vem lamber o sangue do meu peito








terça-feira, 5 de agosto de 2014

EU AMO O AZUL

                                                                                    Clique na foto para ler.











segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O POÇO DOS DESEJOS

                                                                             Clique na foto para ler bem o poema.







sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A POESIA E AS COISAS



    

                                    A POESIA E AS COISAS


A poesia quer a coisa além da imagem
Vai para a frente da imagem  

O poeta tem o céu como abismo
O silêncio susta a respiração

A poesia é a falta de ar
O poeta é o outro

As coisas quebram o espelho






quinta-feira, 24 de julho de 2014

O PEREGRINO






O PEREGRINO


O peregrino bate à tua porta
com a luz da aurora nos olhos

Ainda não é chegada a hora
mas partes

Ainda é cedo
mas segues o peregrino

Ele caminha
atrás da distância infinita

O apelo do horizonte
talvez o abismo
talvez o nada

Segues o peregrino com todas as forças da tua alma







segunda-feira, 21 de julho de 2014

SONETO DA PRECISÃO






SONETO DA PRECISÃO


A pedra não precisa de palavras
A árvore não precisa de palavras
O pássaro não precisa de palavras
A água não precisa de palavras

A terra não precisa de palavras
O peixe não precisa de palavras
A estrela não precisa de palavras
O anzol não precisa de palavras

A lua não precisa de palavras
O boi não precisa de palavras
O dia não precisa de palavras

O olhar não precisa de palavras
O girassol não precisa de palavras
O sol não precisa de palavras

O poema precisa de palavras







sábado, 19 de julho de 2014

DE GUSTIBUS NON DISPUTANDUM







DE GUSTIBUS NON DISPUTANDUM  


Eu gosto da casa, mas prefiro os tijolos
Eu gosto da água, mas prefiro os peixes
Eu gosto das árvores, mas prefiro os pássaros
Eu gosto da montanha, mas prefiro o mar

Eu gosto da sombra, mas prefiro o sol
Eu gosto da praia, mas prefiro o horizonte
Eu gosto do sino, mas prefiro as nuvens
Eu gosto do deserto, mas prefiro a caverna

Eu gosto da cama, mas prefiro a mesa
Eu gosto da palha, mas prefiro o milho
Eu gosto da mulher, mas prefiro a terra
Eu gosto do homem, mas prefiro as pedras

Eu gosto da pintura, mas prefiro a parede
Eu gosto de música, mas prefiro o silêncio
Eu gosto da palavra, mas prefiro o olhar
Eu gosto de poesia, mas prefiro as coisas