sexta-feira, 6 de junho de 2014

JÁ NÃO ESPERO MAIS NADA

































JÁ NÃO ESPERO MAIS NADA


Já não espero mais nada
As cidades foram destruídas
As colheitas foram destruídas
Os animais foram destruídos
A água secou
Os peitos das mulheres secaram
Os homens apodrecem
Os urubus descem do céu
Para o banquete da carniça no deserto.






domingo, 1 de junho de 2014

PRELÚDIO (Cai a noite de junho na sarjeta)































PRELÚDIO


Cai a noite de junho na sarjeta,
Cheira a fritura, bacalhau, carniça.
Eu me encolho na minha capa preta
E desafio para a mesma liça

A cruz e a rosa, o abismo das estrelas.
Corre a vida encardida como um rio
Nevoento aos meus pés, sob as janelas
De ninguém, no universo vão, vazio.

O vento chicoteia o corpo inútil,
Com os círios do nada ele me invoca:
Queima a chama o silêncio que me impus.

O tempo que me resta a mais deglute-o
Uma voraz lagarta na sua roca,
Mas a rosa floresce sobre a cruz.