quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Eu sou (o morto)
EU SOU
A voz do morto
A mudez do morto
A nudez do morto
Os olhos do morto
O silêncio do morto
A dor do morto
O corpo do morto
O nariz do morto
Os ouvidos do morto
A língua do morto
A inquieta língua do morto
A angústia do morto
A palidez do morto
A perplexidade do morto
O poema do morto
O prodigioso poema do morto
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
O MORTO
O MORTO
É
incompreensível a profecia dos vagões ferroviários
Desfio a minha
história bíblica nos dormentes do inverno
Na minha
infância eu brincava com ossos do Paleolítico
O tempo eram
gotas de chumbo pingando do telhado
Na escuridão
não sei se ouço a voz do meu pai ou a minha
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
SERENIDADE
SERENIDADE
Aprenda a olhar a sua imagem no espelho
Como olhamos para as coisas alheias
Você é apenas uma coisa entre as coisas
Essa é a aprendizagem que cura o coração de todos os males
Use a si mesmo como usamos as coisas
Com a serenidade que só as coisas têm
Como as panelas que brilham na cozinha
E as estrelas já apagadas no céu distante
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
À BEIRA DO BURACO NEGRO
Elin Danielson-GambogiA Girl by the Oven 1894
À BEIRA DO BURACO NEGRO
No deserto
estou rodeado de homens
Na multidão
estou só
No espelho não
me vejo
Com os olhos
vazados verei a mim mesmo
E aos outros
homens
Se estou vivo
nada sei da morte
Se morrer?
Somente com a morte me libertarei
Do outro
Quebrei
relógios como quebrei espelhos
Serei sempre o
afogado à beira do buraco negro
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
O SILÊNCIO DE MUNCH
A PONTE DO SILÊNCIO
Um quadro de
Munch uma boca esquálida as ondas concêntricas
Sobre a ponte
e o título Silêncio
Uma lâmpada
paira bruxuleia entre os vãos da ponte
O dia é
amarelo e sujo e doente nos vidros da janela
O silêncio me
penetra como um dardo envenenado
A ponte
balança
A ponte
balança
A ponte
balança
A ponte
balança sobre o caos sob as nuvens do céu amarelo
domingo, 5 de janeiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 21 de dezembro de 2013
W.B. Yeats: Death / Morte
DEATH
Nor dread nor hope attend
A dying animal;
A man awaits his end
Dreading and hoping all;
Many times he died,
Many times rose again.
A great man in his pride
Confronting murderous men
Casts derision upon
Supersession of breath;
He knows death to the bone –
Man has created death.
Nor dread nor hope attend
A dying animal;
A man awaits his end
Dreading and hoping all;
Many times he died,
Many times rose again.
A great man in his pride
Confronting murderous men
Casts derision upon
Supersession of breath;
He knows death to the bone –
Man has created death.
MORTE
Não tem medo nem esperança
O animal moribundo;
O homem que espera seu fim
Tem medo e esperança de tudo;
Morreu muitas vezes,
Muitas vezes se levantou de novo.
Um grande homem em seu orgulho
Confrontando assassinos
Julga com desdém
A falta de força;
Ele conhece a morte até o osso —
O homem criou a morte.
(tentativa de tradução: J C
Brandão)
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
UMA FLOR DE PEDRA NO DESERTO
A eternidade na linha do
horizonte
A eternidade é a linha
no horizonte
A tua face dividida
ao meio
no relógio
Saí à janela
saí de casa voltei
para esquecer
O homem é só
como uma flor de pedra
no deserto
Os mortos sempre
acenam em despedida
aos que ficam
O pássaro carrega
o verão nas asas
no canto
A palavra renasce
das próprias cinzas
Quem bebe da palavra
pensa no cântaro
inextinguível
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
HAICAIS DO DIA QUE COMEÇA
HAICAIS DO DIA QUE COMEÇA
O dia começa
puxado pela carroça
de um burro impossível
Eu pregava pregos
como se não fosse
o meu caixão
Os passos na areia
como um caranguejo
as rugas na cara
Passei por aqui
plantei esta pedra
palavra de sombra
Procura o pássaro
entre as pedras do caminho
encontra o canto
Temos um tesouro
a excelência de Deus
nos vasos de barro
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
BOCCACCIO E A IGREJA CATÓLICA
Comemorando os 700 anos do nascimento de Giovanni Boccaccio, sua obra
mais popular, Decameron, ganha duas traduções no Brasil. A primeira, publicada
pela Cosac Naify, com ilustrações de Alex Cerveny e tradução de Maurício Santana
Dias, contém dez dos cem contos da obra. A segunda, da L& PM, com tradução
de Ivone C. Benedetti, especialista em Boccaccio, é a versão integral deste
clássico escrito entre 1349 e 1351, quando a peste negra devastou a Europa –
são dez histórias por dia, contadas em dez dias por narradores diferentes, com
o intuito de divertir os espíritos conturbados por tanta doença e morte.
Boccacio foi o primeiro grande estudioso da “Comédia” de Dante, o primeiro a
reconhecer o seu valor teológico e a denominá-la “A Divina Comédia”. Menalton
Braft, na palestra inaugural do Encontro Regional de Academias de Letras,
organizado pela Academia Bauruense de Letras, em 2012, disse que a literatura, como
a entendemos, nasceu com o “Decameron” de Boccaccio.
Vou comentar o 2ª conto do 1º dia, a história de dois comerciantes de
Paris, Giannotto de Civigni e Abraão. Giannoto quer por todos os modos
converter o amigo para a religião cristã. Depois de muita insistência, Abraão
vai a Roma ver como vivem os cardeais e o Papa, dizendo que se converterá se o
exemplo de vida deles provar que a religião cristã é superior ao judaísmo. Mas
encontrou-os vivendo uma vida de corrupção e luxúria. Como era um homem sóbrio
e modesto, ficou escandalizado. Disse a Giannotto que o Papa e os cardeais
fazem de tudo para apagar do mundo a religião de Cristo, em lugar de serem os
seus sustentáculos e as suas bases. No entanto, compreendeu que a sobrevivência
da Igreja é prova de que o Espírito Santo é o seu fundamento. E se não estava
propenso a se tornar cristão apenas com os argumentos de Giannotto, agora não
deixaria por nada deste mundo de fazer isso.
Esse judeu parece ter existido, o conto provavelmente baseia-se em fatos
verídicos. A crítica à Igreja não é gratuita, e não tem intuito difamatório. O
grande poeta Petrarca foi contemporâneo de Boccaccio e faz as mesmas acusações.
São Francisco de Assis, do século anterior, recebeu do Senhor a ordem para
restaurar a sua Igreja, mais preocupada com os bens materiais do que com a vida
espiritual. Hoje um novo Francisco assume o dever de restaurar a Igreja de
Cristo, acusada mais uma vez de se desviar da rota. Os católicos conscientes de
sua religião nãos se preocupam. É como se raciocinassem como Abraão: se houve
tantos erros por tanto tempo e a Igreja continua de pé, é prova de que o
Espírito Santo está com ela.
José Carlos
Brandão – professor, poeta e cronista. Publicou sete livros de poesia. Tem um
livro de crônicas no prelo, “A hora do gavião”, que vai ser lançado pela
Secretaria de Cultura de Bauru.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
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