segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PARLENDA DA ESPERANÇA





PARLENDA DA ESPERANÇA


Perdemos o navio mas não perdemos a esperança
O mar há de devolver o corpo que esperamos
As gaivotas vão e vêm sobre as ondas e as espumas

O afogado voltará sobre as ondas e as espumas
O mar vai devolver o afogado em toda a sua beleza
O afogado voltará voando nas asas das gaivotas

O afogado voltará voando com os albatrozes
O afogado voltará nadando com os golfinhos
O afogado voltará dormindo no ventre da baleia

O mar há de devolver o corpo que esperamos
Perdemos o navio mas não perdemos a esperança





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

COMO UMA ORAÇÃO






                       
COMO UMA ORAÇÃO


Ajoelhou-se
diante do cacto

e bebeu

a dor do universo
e o suor das estrelas.





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A BORBOLETA AMARELA





A BORBOLETA AMARELA


Encontrei uma borboleta morta na janela de casa.
Era uma borboleta amarela como ouro.
Era bela como o ouro.
Lembrava o sol.
E doía, essa morte sem significado.

Por que essa borboleta estava ali?
Por que a beleza, diante da morte?
Eu me perguntava e as questões se multiplicavam:
Por que estamos aqui?
A beleza é mais forte diante da morte?

A borboleta jazia na janela.
Depois foi levada pelo vento
como uma folha dourada que ganhasse asas e voasse.






quarta-feira, 10 de outubro de 2012

TEAR





        TEAR


A aranha desce da árvore,
a noite desce da montanha.
A lagarta devora as folhas da amoreira,
das suas entranhas tece a seda.






segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A CAIXINHA DE MÚSICA






A CAIXINHA DE MÚSICA


O velho abraça a árvore e canta.
O velho faz um buraco no chão
e enterra o seu livro da vida.

O velho deita-se na terra e dorme.
Demorou muito para dormir,
demorou muito para morrer.

Uma caixinha de música tocava.
A bailarina da caixinha de música
dançava a dança da morte.

A menina de joelhos ao lado
cantava a música do velho avô.
A menina encantada chorava.