sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PARLENDA





PARLENDA


Não temo a morte na floresta
não temo a morte na floresta
não temo a morte na floresta

Não temo a morte verde na floresta
não temo a morte do fogo na floresta
não temo a morte da água na floresta

Não temo a morte cinza na floresta
não temo a morte negra na floresta
não temo a morte branca na floresta

Eu vivo na cidade – não conheço a floresta
eu vivo na cidade – não temo a morte
não temo a morte na floresta – não temo a morte.





quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CÂNTICO DAS CRIATURAS





CÂNTICO DAS CRIATURAS

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.

Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo e jucundo e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.

Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!

Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.

São Francisco de Assis




terça-feira, 2 de outubro de 2012

O BARCO





O BARCO

Não tenho outro rio para navegar
além da linguagem,
mas o meu barco – o poema – faz água.




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O HOMEM MAU





O HOMEM MAU

Tiveram medo que ele se levantasse de sua tumba
que as almas penadas não aguentassem a sua ruindade
e o mandassem de volta

Cobriram com uma pedra enorme o seu túmulo
cobriram com uma montanha de pedras o seu túmulo
para que não se levantasse

Os mortos enterrem seus mortos
e fiquem com eles