POEMA À MÃE
Mãe, a areia
se escoa da ampulheta.
O teu menino
envelheceu.
A ferrugem rói
os ossos e a paisagem.
Vesti a roupa
preta da despedida.
O tempo voa. Olho
a minha imagem
no espelho:
triste e torto, não me reconheço.
O mundo fez de
mim um homem duro,
não sou mais o
teu menino puro.
Sou quase um
homem morto.
Onde as tuas
mãos para me pensar as feridas, mãe?
Onde os teus
olhos que refletiam o olhar de Deus?
Desfaleço. No
fim do caminho
estendo as
mãos procurando as tuas mãos, mãe.
Estou tão sozinho.

