
A paineira
Você observa os galhos despidos
Erguidos em riste contra o céu azul
E as nove casas de joão-de-barro
Protegidas pelos espinhos da paineira.
Uma paina no chão, semi-aberta, espera.
Os fiapos brancos buscam o ar livre.
Você toma a paina nas mãos como um bicho:
Parece que se mexe, pulsa, quer voar.
Há desenhos de árvores e pássaros no chão.
Um pequeno pardal bica a própria sombra.
Uma flor solitária da paineira brilha
Entre os espinhos, sobre as águas do rio.
Um sanhaço muito azul salta de galho em galho
E dança na luz, paira no ar, caçando bichinhos.
Um sabiá se refresca à beira d’água e canta.
Os peixes curiosos espiam de cabeça de fora.
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