A TARTARUGA
A tartaruga
vai tão devagar
como se imóvel
fosse – eppur si muove.
Nasce na areia
condenada à morte,
só por um fio
consegue escapar
e, solerte, se
apega tanto à vida
que bem parece
não morrer jamais.
Essa é a
lentidão da tartaruga.
Move-se
devagar porque o horizonte
é sempre mais
além de outro horizonte.
Existir é
memória. Um ovo ao sol
cozinhando na
areia ao som do mar.
A sua casca é
dura como a pedra
e é o seu
próprio corpo, pele e osso.
A tartaruga
pesa como o mundo.
Leva nos
ombros a beleza e a dor,
o êxtase e o
mistério de existir.
(poema do "Livro dos bichos", Prêmio Jorge de Lima 2011, da U. B. E. - RJ)

