quinta-feira, 20 de junho de 2019

12 poemas in Germina - revista de literatura e arte

                        
 Uma grande honra participar da revista Germina.  Confiram.



                                http://www.germinaliteratura.com.br/2019/jose_carlos_brandao.htm



quarta-feira, 19 de junho de 2019

O poema e o poeta

                                                                                                                                                             Picasso - Pinto e modelo



O POEMA E O POETA


Ninguém conhece o meu abismo. Ninguém, o meu caos.
A poesia é um espelho, o poema é um bronze infiel.
O poeta não tem a clareza da superfície das águas.
É necessário uma faca para esquartejar a realidade.
O poeta está sempre do outro lado da lua.
O poema não tem sete faces, o poema é um prisma de mil faces.
Joguem fora o meu cachimbo, joguem fora a minha bengala.
As gaivotas morrem no mar, os homens morrem na praia.
Eu sou um homem e a minha voz é um eco da minha própria voz.
Quebrem o espelho, joguem fora o poema.
Não se lê um poema para conhecer o abismo do poeta.
O poema é o olvido e não se lê o olvido.

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“Um poema não lês,
não se lê o olvido.”
O Emparedado, 1975













sexta-feira, 14 de junho de 2019

Este país não é para amadores


                                                                                          El Greco - São Jerônimo



 Este país não é para amadores



Este não é um país para amadores.
Acham que eu tenho nariz de palhaço?
Este país nem limpando com aço.
Este país não tem jeito e nem remediado está.
O sol nasce para todos, mas queima uns mais que outros.
De dia falta água, de noite falta luz
e tem gente que pensa que é avestruz.
O que os olhos não veem mata o coração.
Um marreco incomoda muita gente, seu capitão.
O juiz torcia para um dos times.
Quem apita o jogo do juiz?
O juiz pisca mais que um pirilampo.
Tira o apito do juiz. Tira o juiz de campo.






domingo, 9 de junho de 2019

Este país não é sério


                                                                                      Paul Gauguin



Este país não é sério


Os lobos uivavam entre os currais de pedra,
o touro erguia a argola pesada nas ventas,
um menino chorava os filhotes de raposa mortos,
a mulher sentia um estranho perfume de deserto
na roupa lavada secando ao sol e ao vento.
Este país não é sério e a roda d’água gira.
Ninguém olha para trás. A torre de Babel
balança mas não cai. Ícaro toma sol na lama.
Eu paro e olho o horizonte de boca aberta.
Quem me devolverá a língua que eu perdi?
Quem me devolverá o nome que eu perdi?
A minha pátria é uma língua estranha e inútil
cantada por um andarilho idiota no nevoeiro.