domingo, 21 de agosto de 2016

O SÉCULO XXI

                                                                                                                                                                         Banksy



O SÉCULO XXI


Espera-se que este século seja melhor que os outros.
É jovem ainda, mal ensaia os primeiros passos,
tem a vida toda pela frente, tem tudo para ter homens melhores
e coisas melhores, menos mortíferas.

Verdade que carrega nas costas erros demais,
o resíduo das catástrofes de todos os séculos passados.
Nasce velho já, carcomido de furúnculos mortais
e o seu sangue está podre nas artérias.
O coração é velho, já não serve para mais nada.
Os pulmões estão secos.

Não tem mais forças ou não sei que condição
para buscar a felicidade ou outro alívio mínimo.
Os homens vivem o tempo da pressa, sem válvula de escape.
Olham-se nos olhos uns dos outros e não se reconhecem.
Aliás, nem se olham mais nos olhos.

O terror tomou conta das ruas das cidades.
Vive-se em estado de sítio, dorme-se com o inimigo,
a morte espreita a cada canto.
O mundo pode explodir,
o chão a seus pés, a sua casa, o seu carro
podem explodir a qualquer momento do dia ou da noite.

Este século herdou desgraças demais,
a guerra, a fome, as doenças acabam com o ser humano.
O homem é inapelavelmente uma raça em extinção.
O mundo era um projeto maravilhoso.
Ficou no papel ou na cabeça dos sonhadores,
talvez na mente de Deus, que deve estar arrependido da sua criação.

O homem provou que é imbecil, quer se destruir.
A razão é um instrumento fora de uso, a alegria enferrujou,
a esperança não é mais uma planta verde, murchou,
apodreceu no caule ainda mal formado.

O mundo não tem solução,
o homem não sabe mais como viver.
Não há respostas, já nem se sabe ao menos que perguntas fazer.
Sem esperança, espera-se que este século seja melhor do que os outros.
Agonizando, espera-se sobreviver.







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