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domingo, 23 de outubro de 2011

O MORTO NO FUNDO DO QUINTAL





























O MORTO ENTERRADO NO FUNDO DO QUINTAL


Ninguém canta para o morto enterrado no fundo do quintal.
Ningém canta para os insepultos
mortos ou
vivos. E todos pedem esmola,

a moeda
para os olhos demasiadamente abertos.
Os olhos vazios
como casas em ruínas. A hera cresce pelas paredes, as raízes

engordam
as paredes. É um ambiente de paz
e desolação. As mãos
pendem

pesadas. Os pés estão fincados no solo, com musgo
no calcanhar.
O que faremos da vida? O que faremos da morte? Perguntamos
e nos afastamos envergonhados.

Nada resta nos bolsos para trocar,
para tocar
com os dedos ensanguentados. Abandonamos a nossa imagem
no fogo

que tudo consome. Uma gaivota, o clarão
de uma gaivota e o cachorro ganindo solitário como um barco
de borco
sob a lua.




5 comentários:

Claudia Almeida disse...

...impossibilitados pela corrupção as pessoas sangram sem ofertar nada é esse o vazio que tange e que mata os sonhos.

Bjs poeta!

Wilson Torres Nanini disse...

Todos trazemos dentro um quintal e muitos mortos nele enterrados.

Conviver com eles é uma árdua tarefa agônica.

Forte abraço!

Adriana Godoy disse...

Belo poema, forte e triste.
Beijo

Diego Schaun disse...

Olá José Carlos! Tudo bem? Adorei o teu blog e teus escritos. Idéias claras e objetivas! Parabéns! Já estou te seguindo!

Sou músico e escritor. Reuni meus videos, crônicas e músicas aqui no www.diegoschaun.com.br
Quando puder, dê uma passada. Abraços!

Boa semana,
Diego

Bazófias e Discrepâncias de um certo diverso disse...

Realmente, temos nossos mortos enterrados no quintal, e tem a moeda (de troca) que significa a necessidade de sobreviver, e enterrar... Gostei muito, Brandão! Abraços